quarta-feira, 30 de setembro de 2009

29.09 - O dia dos extremos!

Aqui em Munique tinha um campo de concentração dos grandes. Dos grandes mesmo. E que serviu de modelo para tantos outros na Alemanha. Após o fim da guerra, resolveram fazer dali um museu / memorial para mostrar para o mundo, o tamanho da cagada que foi aquilo. E lá fui eu conhecer...

É uma experiência, no mínimo, estranha. Numa comparação imbecíl, até comentei isso com o Java, foi como ver lâmina de meiose \ mitose pela primeira vez. Óbvio que com sensações completamente diferentes. Você sempre vê em livros, registros, fotos mas parece que aquilo não existe mesmo. E quando você chega ali, você vê que aquela porra toda aconteceu mesmo.

É um clima pesadíssimo! Pesadíssimo! É um lugar que não tem cor, não tem vida. É estranho. Vi pessoas chorando, o que é perfeitamente compreensível. Do campo todo, ainda tem um prédio central, onde eles fizeram um museu, duas barracas, onde os prisioneiros dormiam, e a parte do crematório. Disparado, a pior parte de todas. Fora isso, inúmeros memoriais, monumentos e igrejas, todos feitos recentemente.

Achei legal o museu. É bem interessante como eles mostram como foi que tudo isso aconteceu. Que não foi tipo da noite pro dia que o Hitler (aliás, todas as fotos dele aparecem com uma mancha branca no rosto, não sei se proposital ou se alguém fez isso) acordou e falou "Vou acabar com esse povo.". E esse povo não era só judeus. É interessante ver a evolução dos fatos que culminou nesse caos todo.

Mas, ir pra parte do crematório é algo trash! Você começa por um lugar onde eles desintoxicavam roupas e pertences das pessoas, passa pela sala de espera do "banho" e passa dentro da câmara de gás que eles usavam pra matar os prisioneiros (eles diziam que iam levá-los para tomar banho). Cara, é muito ruim a sensação que dá. Não dá pra definir ou tentar explicar. Não dá vontade de tirar foto, nada... dá vontade de você sair. E só! E ir embora. Algo que vale a pena de se conhecer e se ver pra ter noção do quão estúpido o ser humano pode ser. Punk o negócio.

Do extremo da energia negativa, fui para o extremo da energia positiva: vamos para a Octoberfest. O Java me explicou assim "Desce na estação tal e segue o fluxo!". E não tem como errar. É um fluxo constante de pessoas indo para lá.

Ao chegar na festa, fiquei bem surpreso! Eu imaginava tipo um espação, com umas tendas e só cerveja. E era isso. Mas não! É tipo uma festa do figo, festa da uva! Só que ao invés de fruta, o tchan é a cerveja! E é algo super traidicional deles, tipo a nossa festa junina. O povo se veste a caráter, tem barraquinhas de lembranças, comidas de todos os tipos, parque de diversões. E lá no fundo, um puta prédio fantástico com uma estátua enorme!

Cheguei mandando pra dentro um salsichão! A-NI-MAL! Hora de seguir os conselhos de Alessandrin e procurar a tenda da HB. Entrei na HB e lá encontrei um monte de... Alessandrin! O lugar é imenso! O povo fica em pé em várias mesas (em cima delas), com aquelas canecas gigantescas de 1L (num guenta, bebe leite) e conversando e falando e ouvindo o som da bandinha. Que ao término de cada música, o cantor pega uma caneca e começa a cantar uma música tipo "Eu bebo sim, estou vivendo" e o povo começa a brindar! Só que os brindes são umas putas porradas numa caneca na outra! Vixe!

Mas, enfim, chegando lá, descobri que o que você precisa, pra sobreviver sozinho na Octoberfest é de uma camiseta do Brasil. De cara, já encontrei os Alessandros: "Caraca, meirmão! É brasileiro essa porra! Onde tu tava que tu demorou! Coé!". Um bando de carioca da Marinha que tá por aqui. Já me enturmaram, já puxaram papo e a coisa começou a fluir. Com a camisa do Brasa, fui parado por um monte de gente! Franceses, italianos, australianos, argentinos (tinha um Jorge) mais brasileiros e assim vai! Fiz até amizade com as tiazinhas da cozinha! Eu olhei uma mulher dentro da cozinha e pensei "É brasileira!". Pelo sorriso dela. Deu 2 minutos "Ô, brasileiro!". E era comigo!

E o povo bebe. Mas bebe. Mas bebe... é de impressionar! E num tem comida? Tem sim senhor! Uma costelinha de porco FAN-TÁS-TI-CA numa porção gigantesca que eu não dei conta de comer. Comi metade e a outra metade dividi com uns gringos que eu não faço a mínima idéia de onde eram! E cai no golpe da cerveja de 1L. Você vê e fala "Ah, dá pra tomar 2!". Só que 2 são 2 LITROS de breja. É de bagunçar a vida...

Apesar do clima de bebedeira, nego derrubando cerveja em você, a energia que rola ali é bem legal! Gente do mundo inteiro se conhecendo, se falando... Achei muito legal mesmo! O ponto alto da festa foi quando a bandinha começou a tocar Boemia Rapsody (não sei se é assim que escreve) do Queen! A tenda veio abaixo e a negada pegando fogo cantando! Fim de festa, tipo um pretzel com queijo em cima pra completar e, pra ocupar a parte doce do estômago, uma macadâmia cheia das firulas lá. Beeeem da hora!

De volta pra casa, fui conhecer o lab que o Java tá trabalhando. Os caras tem uma estrutura muito legal lá! E o Java tá tocando o terror aqui nos caras! Produzindo que nem um doido, publicando sem parar. E o da hora é que ele trampa no prédio, ou melhor, na sala do cara que "descobriu" a esquizofrenia e um dos alunos desse cara, que também trabalhava nesse prédio, era um tal de Alzeihmer! Doido, né?!

Com o pé moído e as costas explodindo de dor, cama é o que me resta!


28.09 - A cidade cenográfica!

Sai de Berlim rumo a Munique. Na estação, descobri uma das coisas mais fantásticas: kitkat! Não sei se ainda tem no Brasil, mas é um bis muito mais animal! Uma pechincha, disponível ali, em qualquer máquina, óbvio que foi uns 3 pra dentro! Peguei o primeiro trem e desci em Fulda, uma outra cidade alemã. Uma hora de espera e vamos nós para Munique. Num trem super moderno, cheio das firulas. O que foi estranho foi que a moça que sempre dava a mensagem falando da próxima estação falava milhares de coisas em alemão, mas na hora do inglês era só um "Next Station".

Cheguei em Munique e lá estava o Java me esperando! Viemos direto pra casa dele e, no meio do caminho, encontramos a Laura com o Chico e a Pipoca passeando pela rua. Festa da cachorrada e foi bem gostoso rever os 2 (Java e Laura). O apartamento deles é bem legal. Bem legal mesmo. Num lugar super gostoso, super arborizado e do ladinho do Max Planck que o Java tá trabalhando.

Feito o oba-oba inicial, tomei rumo para a cidade, seguindo os conselhos deles. Cara, Munique é tipo uma cidade cenográfica. Certeza que o dono daqui deve ser tipo um Boninho! Meu, TUDO funciona, tudo é perfeitinho, tudo é limpo, tudo é no lugar. As pessoas são MUITO simpáticas (o que é MUITO diferente de Berlim) e várias pessoas na rua andam com roupas típicas da Bavária (o estado alemão no qual se encontra Munique). Muitas pessoas idosas pela rua, todas felizes.

Passei por vários prédios bonitos, igrejas, "um palco" onde foi "declarada" a guerra pela Alemanha, jardins bonitos, monumentos e, por toda a cidade central ali, você vê barzinhos com mesas pra fora e o povo... tomando cerveja! Não é tão "forte", que nem Berlim, onde o povo anda com garrafas pra cima e pra baixo, mas parece que o povo bebe bem aqui também, viu!

Na volta, me perdi para sair da estação e voltar para casa, sai pelo lado errado, mas foi bom pra conhecer um parque que tem aqui perto. Tipo uma lagoa do Taquaral. Era fim de tarde, pessoas correndo, pessoas jogando vôlei, pessoas jogando futebol (e coçou o pé pra ir jogar porque os caras eram tudo ruim de bola) e fazendo ginástica! Muitas pessoas num espação com uma tia dando aula e o povo lá, fazendo os exercícios.

A noite, saímos todos, inclusive os cachorros, para o Java e a Laura me mostrarem outras coisas da cidade. Virei fã dessa cidade. Das que visitei, é A cidade pra se morar! Disparada! Muito legal mesmo!

Como não dormi bem na viagem, voltamos e foi só apagar a luz pra esta criança pegar no sono... e roncar! Pra deixar a Laura feliz... :)


27.09 - O dia de falar potuguês...

E num entender muita coisa de inglês também! O Julian e a Chen quando se empolgam falam bem rápido e fica difícil de entender. Pra não ficar pedindo pra repetir toda hora, você concorda com a cabeça e vai reagindo de acordo com a expressão deles. Dá certo! Mas enfim, fui atrás de um free tour que tem por aqui. E, na verdade, existem em vários lugares. Uma empresa (?!) chamada New Europe organiza um tour free por várias cidades da Europa e, ao término do passeio, você dá uma gorjeta para o guia.

O guia do meu grupo era um irlandês com um sotaque bem pesado e que falava maluco paranóico sem parar datas e nomes e datas e nomes! Deu pra entender o que ele falava? Entender, entender, na linha da compreensão, uns 50% e olha lá! Mas, para compensar, encontrei com outros 3 brasileiros: um gaúcho, que atualmente mora em Londres, um mineiro, que falou "sô" no meio de uma conversa em inglês e um carioca, oficial da marinha que viaja o mundo com os barcos do Brasa, basicamente. Dada a deixa, hora de falar português bastante. O problema disso é que meu botão SAP ficou bem zoado e acho que interferiu na hora de entender o que o guia dizia.

O passeio sai do portão de ontem, que aliás tem fotos pós guerra que mostram ele bem destruído, e demora em torno de 3,5 a 4 horas. Mais uma vez, pra quem curte história, é o canal! Muita informação! Muita mesmo! Passamos por vários pontos interessantes:

  • Um monumento em memória aos judeus, e só a eles, mortos durante a segunda guerra;
  • Um bairro construído em cima de uma "base" do Hitler;
  • O bom e velho muro de Berlim (aquela porra existiu mesmo!!!!!);
  • Prédios históricos de guerra ou da história mesmo de Berlim;
  • Uma praça bem animal que tem uma catedral francesa de um lado e, do outro, uma alemã;
  • A torre de TV gigante que tem por aqui;
  • A catedral protestante mais gigante e mais animal, por fora, que eu já vi! Doido!

Dia cansativo porque pra ver isso tudo tive que andar pra cacete! Mesmo! Na volta, comi o tal do kebap: é o churrasco grego da "zoropa". Mas bem gostoso... um gostinho de subway no fundo. E apimentado que é uma beleza! E, na casa do Julian e da Chen, dia de jantar com amigos (uma menina da Lituânia, uma outra chinesa e um outro alemão) e lazanha. É engraçado como eles usam alho e cebola mas as coisas não tem muito gosto não.

Agora, nesse exato momento, tô numa estação de trem, esperando meu trem para Munique. E deixei de lado meu jeito brasileiro para escrever esse post em plena estação. Digo isso pois não tem absolutamente ninguém aqui, assim como em Amsterdam, e o cagaço de alguém vir e te roubar é grande. Mas todos dizem que isso não acontece aqui. Confesso que é bem estranho se acostumar com a idéia.

Berlim é animal! Berlim é fantástica! Berlim é imponente! Berlim é barata! Vale muito a pena vir pra cá e ficar uns 3 dias. Existem vários museus que eu só passei pela frente mas que parecem ser bem interessantes. É uma cidade super histórica e super moderna ao mesmo tempo. O próximo destino: Munique, Octoberfest, Java e Laura!


26.09 - A cidade cinza...

Se você viesse me perguntar, por volta das 15:00, o que eu tinha achado de Berlim, sem dúvida nenhuma, eu ia lhe responder: uma merda, me tira daqui! Cheguei com o tempo nublado e, sendo assim, a cidade parece, realmente, cinza. Como haviam me dito. E, pra começar, as pessoas (depois de um tempo percebi que as mais velhas) não estão muito dispostas a lhe ajudar. A maioria não falava inglês. E, diferentemente da Holanda, quando eles falam "a litou" quando você pergunta se eles falam inglês, é um pouco mesmo! A cidade me pareceu suja, com um povo estranho... Pra ajudar tudo, não conseguia falar com o cara do couch surfing! Conclusão: fui até uma Lan House para procurar um Hostel.


Achei um que fui com a cara dele, mas com dor no coração de ter que gastar essa grana imprevista. Antes de mais nada, pra relaxar, um pãozinho com salsichão branco e mostarda! Tetê! Enfim, achado o Hostel, começou a briga de descobrir como ir para o lugar. E eu querendo mandar tudo à merda.

Eis que recebo uma mensagem no celular! Era o Julian, cara do couch surfing, pedindo milhares de desculpas que não tinha visto a mensagem e tudo mais. Ainda que no caminho pra ir ao encontro dele, peguei o trem em sentido errado (porque um arrombado me ensinou assim) mas, para a minha sorte, ouvi palavras conhecidas e tinha um casal de brasileiros que, provavelmente, vivia aqui, acabou me ajudando.

Até aí, tudo uma bosta! Até aí... Eis que chega o Julian! Moleque novo, figuraça, meio hiperativo, daqueles que falam coisas, ficam empolgados e fazem gestos, sabe? E é o tipo de cara que assiste o treino da F-1 na TV e, ao mesmo tempo, acompanha os dados oficiais na internet. Ao chegar no apartamento, conheci sua namorada, uma chinesa provavelmente decendente de Mao Tse Tung. Pareceu ser meio jogo-duro, mas não deixou de ser simpática e tudo mais.

Terminado o treino da fórmula 1, o Julian saiu comigo para fazer um breve passeio pela cidade. De trem, busão, metrô. E isso terminou por volta das 2 da manhã. E, se nessa hora, você me fizer a mesma pergunta do começo do post, sem dúvida nenhuma, eu vou responder: "Caralho! Berlim é ANIMAL! MUITO FANTÁSTICA!". Talvez uma das mudanças de opinião mais rápidas da minha vida.

É uma cidade grande. E, sendo uma cidade grande, você vê milhares de tipos de pessoas. Tem gente que entra com o cachorro, com a bike dentro do trêm / metrô. E todo mundo bebe! E bebe mesmo! É muito normal você ver pessoas com garrafa de breja na mão. E pelo que percebi, é no mínimo meio litro. Seja homem, mulher, novo ou velho, todo mundo bebe. O Julian disse que bebe todo dia e isso é muito normal.

O transporte público é fantástico! Muito grande e bem complexo, o que me fez ficar perdido algumas horas. Tem estações, por exemplo, com 3, 4 andares que você consegue pegar trem internacional, trem interno, metrô, ônibus e, além de tudo, tem um shopping! Doido! Como em Amsterdam, você tem que comprar o ticket mas ninguém lhe cobra isso. Ou seja, se você não comprar, e não for parado pelo fiscal que fica rodando nos lugares, você anda pra cima e pra baixo. Nada de catraca. E, em sendo uma cidade maior, você vê gente vendendo ticket válido bem mais barato (que deve ter achado no lixo ou no chão, provavelmente) e sente um pouco uma "malandragem" no ar. Os caras construíram uma estação de metrô aqui que parece coisa do Campinas Decor! No sério! É muito fora da realidade. Cheira a casa nova o lugar!

Mas não é só por isso que Berlim é animal. Existem prédios gigantescos e super modernos. A noite, eles ficam uma coisa surreal. Só lembrando: foi uma cidade que passou por guerra. E ao mesmo tempo que é uma cidade nova, super moderna, tem MUITA coisa antiga. E muito bem conservada e muito imponente, fantástica. Um dos "prédios" que vi é uma espécie de um "portal" com uns cavalos em cima e, meu, foi a coisa mais fantástica que eu já vi na minha vida. Digna de arrepiar o último pêlo do rabicó! E isso é muito doido! De um lado da rua, um prédio super novo, de "5 mil andares" e do outro, um prédio gigantesco (tipo o parlamento deles, que não dá pra explicar o tamanho do negócio) super conservado, que impõe respeito! Fantástico!
O dia foi tenso e cansativo. Um dia e meio para Berlim é muito pouco! Mas vai ser assim. Amanhã vai ser dia de fazer passeio de turista e ver os lugares com mais calma e comer kebap. E é isso! Berlim vale MUITO a pena!

Ah, uma coisa que eu acho que ilustra bem o que é essa cidade: ontem a noite, fui a um bar, numa avenida super movimentada, cheia de barzinhos e, de repente, você entra num beco e o beco se transforma num prédio de uns 4, 5 andares, todo pixado por dentro, cheio de cores e, em cada andar, rola alguma coisa, sendo que no último é um bar com uma varanda pra você ver um filme projetado na parede do prédio da frente. E tem, embaixo, uma região de céu aberto com uns 2 barzinhos quiosque onde fica uma negada. Nesse lugar você vê gente bêbada, drogada, sã, bonita, feia, "normal", punk... LOCO como Berlim!
 

25.09 - Um post de gente gorda!

Comida, comida, comida! A noite de ontem começou com a mudança. Fui para a casa da Corline. Uma menina muito da gente boa! Muito mesmo! Nunca vi uma pessoa tão feliz ao ganhar 2 pipas! Sendo que uma delas era do curíntia! Ficamos aqui na casa dela um pouco e fomos ao supermercado. No caminho ela foi me mostrando várias coisas da região que ela mora, mostrou um pedaço bem chinês aqui perto e cagou de rir (no sério) quando eu fui pagar um papel higiênico que custava 1 e pouco com uma nota de 100. O ato foi proposital para eu trocar o dinheiro...

Enfim, depois disso tudo, fomos comer. Entramos no lugar, um restaurante pequenininho, assim como todos os estabelecimentos aqui, e, HERMANOTEU, VÉI! HERMANOTEU, VÉI: o lugar cheirava a puro fundeau de queijo! Animal! Fiquei vendo ela conversar com a dona do lugar, pra conseguir lugar, e escorria baba da minha boca! Cacete! Acabei comendo um bifão com um molho que parecia ter creme de leite e uma pimentinha beeeem da hora, e um outro prato que eles trazem uma peça de carne só corada por fora, com um olho a base de manteiga e salsa. Isso vem numa bandeijinha de alumínio e com um fogareiro embaixo. Você deixa a carne fritando e curtindo no molhinho e, aí, põe pra dentro! FAN-TÁS-TI-CO!

De volta pra casa: hora da balada! O tal do pic-nic é um evento que abrange várias coisas ligadas a design, pelo que entendi. E ontem teve a balada oficial, organizada pela MTV com o show de uma menina negra americana bem da maluca! É tipo uma mistura de Rodrigo Amarante com Arnaldo Antunes. Ela fica fazendo várias performances no palco. E depois desse show fomos pra uma balada mesmo, no mesmo lugar, onde ficava tocando umas músicas e passando uns vídeos com umas fotos bem bizarra. Voltamos cedo, aliás, a noite aqui em Amsterdam acaba cedo. Segundo a Corline, são poucos os lugares que tem autorização pra ficar aberto além da 1 da manhã. Na volta, fomos conversando sobre várias coisas. E pra explicar pra ela porque no Brasil, álcool é legalizado e maconha não...

O dia de hoje começou nublaaado, com uma puta nhaca. Acabei indo numa igreja aqui pertinho (St. Nicholas) e depois dei uma passada no red light district. Se o Itatinga ou a Augusta alguma vez te impressionou na vida, é porque você nunca viu esse lugar! Bicho, o lugar transborda, respira e sobreviva a base de sexo! É sex-shop pra tudo quanto é lado, casa de show e, claro, as famosas janelinhas onde as mulheres ficam se exibindo pra convencer os caras a entrarem lá. E é marketing agressivo! Você passa na frente, elas ficam mostrando a língua, chamando você, num fica só ali paradinha não! Atividade!

Enrolado o tempo, fui rumo a casa da Xanti que num chama Xanti. Uma mulher que o Jerk conheceu sei lá como e que conhece o Garça também. Antes de ir pra casa dela, uma parada num buteco pra comer um croquete que é típico daqui, num sabia. Bom! Bem pesado na manteiga, achei, mas bem gostoso. Com uma casquinha super crocante por fora e bem sequinho, manja? Gostosinho...

Ao chegar na casa da Xanti, fui recebido pelo Michiel, seu namorado de 27 anos. Figurão cabeludo com visual de clube de motos, sabe? E a Xanti pequenininha, cheia das trancinhas. Um apartamento super arrumado, conheci os 2 filhos dela e os 2 cachorros. Aliás, quando conheci o filho mais novo da Xanti, o Xanti, ele estava com uns amiguinhos jogando bola. Molecada curiosa! Queriam saber de onde era e quando eu falei, começaram a perguntar de vários jogadores de futebol! Depois de muito conversar, fomos para Voledam, uma vila a 20 km de Amsterdam, bem típica.

Lá, tiramos fotos com roupas típicas, o Michiel felizão porque devia ser a 20a vez nesse ano que ele ia lá. Eu vou postar as fotos depois. Se você olhar, vai ver como eu sou um perfeito exemplar de holandês! A roupa é só um mero detalhe... Em Voledam, tem um monte de barco, é uma região de pescadores. A Xanti tirou milhares de fotos minha, postarei todas. Tem, inclusive, um lugar com um memorial: no reveillon de 2000 pra 2001, uma balada que tinha lá, tava decorada com um monte de coisa e começou a pegar fogo nos enfeites. Resumo da obra: várias pessoas morrem queimadas, outras com sequelas pra sempre... trash!

Já que tô aqui, aproveitei para experimentar um prato, no mínimo, estranho. Imagina um pão da Bambini menor, aberto e, no meio, dois filés de peixe cru. Cruzaço mesmo. Com umas cebolinhas em cima e um pedaço de pepino. E a coragem de pôr aquilo na boca... mas o fiz! E até que é gostoso, viu! Faz lembrar um atum, não sei se é o mesmo peixe. Mas a aparência é estranha... Conversa vai, conversa vem, ou pelo menos tentativas de, fomos jantar próximo a casa deles. Comi uma paqueca gigante com páprica, queijo, cogumelos (sem ser dos alucionógenos, eu acho) e cebola.

Tive o prazer de conhecer um casal fantástico! A Xanti (esse é o nome do filho dela, na verdade) é toda educada, atenciosa e receptiva. Super solidária, ficou tirando milhares de fotos, mostrando e contando sobre as coisas daqui. O Michiel, com o jeitão de bad boy, é super atencioso também e acompanha a onda, apesar de não aguentar mais ir pra Voledam.

A noite, passei de novo no red district pra ver o movimento. Meu, aquilo feeeeerve! E você vê todo tipo de gente. Homem, mulher, casais. E vê, também, um monte de gente chapadaça que mal consegue ficar em pé. Chapado do que?! Vai saber... tem tanta possibilidade!

De volta pra casa, hora de arrumar as malas e pôr o relógio pra despertar. O trem pra Berlim parte no sábado, as sete da matina!! Vixe! Mas vamos que vamos.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

24.09 - A bibida atrapalha?

Se bebida e direção não combina, bebida e bicicleta que você não tá acostumado, menos ainda! Fui em um barzinho (café, na verdade) indicado pelo Mick. Poucas pessoas e todas enturmadas, tomei umas brejas e vim embora. Na volta, descobri que você não pode enfiar o pneu da bicicleta no trilho do bonde. A chance de você cair é enorme! Quase atropelei um cara a pé e, enfim, o primeiro tombo! A borda da ciclovia é preta e a sargeta é preta. A noite, míope e com bibida na cabeça, o chão foi meu destino. Num diferenciei e achei que era tudo nivelado. Uma mocinha tava entrando em casa e, imagino eu (holandês fala que nem alemão) disse "Aí você se fode... tá tudo bem, seu porra?". Falei um "Ok! Sorry!" e fui embora.

Hoje, deu um baquezinho de não ter ninguém conhecido por perto. Me senti meio perdidão de manhã até decidir onde ir e faltou alguém pra falar um "Vamo!". Sai e fui atrás do museu Rijksmuseum. Na ida, um lance muito louco: a ponta que desmonta, abre na verdade, pro barco poder passar. Bem da hora!

Cheguei no museu, uma fila infernal. Resolvi ir na Heineken Experience. Animal! Bem da hora mesmo. Mostra a história da cerveja, como é feita sua produção e tem uns lances todos interativos envolvendo a marca da cerveja. Tem uma espécie de cinema 3D onde você fica "dentro" do processo de fabricação. Então o chão vai chacoalhando, quando fala que ferve começa mó calor na sala, quando fala que molha cai água do teto, essas coisas. No fim, você tem direito a tomar 2 chopps, além do outro que você já tomou na degustação. Ah, e tem uma parte só sobre a liga dos campeões. Você escolhe os gols que quer ver e tal. Fipo, tinham uns franceses vendo gols de adivinha quem...

Voltei pro outro museu e não curti muito não. É aquele museu cheio de quadros por todos os lados que você olha e fala "Locura, né?". Tem uns 3 quadros que achei bem loco (são bem grandes) e uns materiais legais, tipo arma, armadura, louças e afins. Acho que se tivesse mais objeto e menos quadro eu gostaria mais. Aliás, minha mãe ia ficar doida lá porque tinha uma porrada daquelas louças com aqueles deseinhos azuis que só mãe acha bonito! Mas o prédio por dentro era bem legal... Não foi de todo ruim mas eu achei caro pela minha satisfação! :)

Saído do museu, resolvi ir atrás de um tour de bicicleta que tinha no mapa. Antes, uma parada no centro pra achar um adaptador pros carregadores. Aqui, na Europa, não existe tomada de 2 risquinhos, sabe? Só o plug dos dois redondinhos. 5 euros a brincadeira! :) Pedalei, pedalei, pedalei até achar o cata-vento gigante. Só que o bairro cheirava a maconha, tinha umas pessoas com cara mais mal encaradas, pouco movimento, num fiquei muito por lá não!

Na volta, vi que estava do lado do Nemo: um museu de ciência e tecnologia. Pensei comigo "Loco!". Só que quando entrei, só tinha criança e uma voz no fundo tipo assim "Bombini a Hopi Hari!", manja? Achei que num valeria a pena e desencanei.

De volta em casa, atualizando as fotos e blog e arrumando a mala para mudar de apartamento. Vou para a casa da Corline, uma menina do Couch Surf. A noite, vamos para uma festa de um evento que tá rolando aqui e amanhã vou conhecer a rua da putaria lá, pelo menos espero, e sair com uma amiga do Jerk (a Xanti) rumo a Volendam!

Meio cansado (essa vida de ciclista judia), com a bunda doendo (um banquinho de gel ia bem) e com saudades de ter alguém por perto! Não sei se na Corline tem acesso fácil a Internet, então, se eu sumir é por isso. Mas vou tentar deixar os textos escritos para só postar depois. Javão, já tô chegando! Nê, imagina um desses aí embaixo em casa... :)


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

23.09 - Agora sim, começou a viagem!

Ontem eu tava moído! Minhas costas no pó pelo peso da mala. Mas nada que uma noite de sono não resolva. Aproveitei pra pôr um pouco do sono em dia e acordei por volta das 10:00. Fui tomar banho, aquela coisa, o Mick me emprestou a bike dele. E aí começou a putaria. Primeiro, apanhei pra destravar uma das travas da bike. Depois, pra andar. Na bike dele, não existe freio de mão, o freio é quando você faz o movimento contrário no pedal, manja? Até eu conseguir andar 5 metros sem cair, foram uns 10 quase tombos e ainda não peguei direito o jeito dessa porra! Teve uma hora hoje, na frente de um café, que eu pensei comigo "Agora fudeu! Caí memo!" mas dei conta de me segurar!

Falando um pouco de bicicleta, sem dúvida nenhuma, é o meio de transporte mais popular de Amsterdam. Desparado! O sistema de transporte aqui pareceu bem legal e organizado com metrôs, trens, "bondes" e ônibus. Nenhum lotado e com bastante lugares. E poucos carros na rua. Mas muitas bicicletas! Muitas! E pessoas de todas as idades usam. Vi senhores e senhoras andando, vi gente de terno e gravata, vi crianças, vi famílias, pessoas carregando pessoas e vi um monte de tipo de bike! Hoje vi uma bem doida que o cara pedalava deitado! Além das bicicletas, scooters existem de monte aqui também! Manja a vespa que existia aí nas antigas? Tem aqui até hoje! Mas hoje em dia ela é automática, moderninha! E em todos os lugares existem lugares pra você guardar sua bicicleta. Como nem tudo é perfeito, você precisa prendê-la com uma trava para não roubarem.

De bike nos pés e depois de um café da manhã com um abacate sem gosto (aliás, o limão também não tem gosto de limão - ontem eu fiz uma pseudo caipirinha com um pseudo limão e um pseudo açúcar. Ficou bom? Bom, bom, na linha do gostoso, não! Mas o povo tomou!) e um pão com um queijo gostoso, sai meio sem rumo. Existe ciclovia pela cidade toda, sinais específicos para bicicletas e os carros, bondes e ônibus respeitam!!!!! Quem manda aqui são as bicicletas. E você dá seta com a mão pro arrombado que vem atrás de você não encher sua bunda!

Tô meio louco, misturando milhares de assuntos, mas enfim. Sem rumo, fui parar no Western Park! Um parque tipo a lagoa do taquaral, onde as pessoas vão caminhas, correr, tem escolas infantis lá e onde tá rolando um tal de Pic Nic. A menina do couch surfing, que vou ficar na casa, disse que tem entradas pra isso pra amanhã. Então descubro o que é e aí conto.

Dei um rolezaço lá, tirei várias fotos e resolvi procurar o centro. Pedalei, pedalei, pedalei até achar... eu tava achando Amsterdam parado demais! E ali sim encontrei: a MUVUCA! Mais carros, pessoas andando por todos os lados e tudo mais. Mais que isso, percebi que o centro de Amsterdam deve ser menor que a Unicamp! Tudo é MUITO perto! MUITO! 15 minutos pra eles, de bike, é "longe"! E o melhor jeito pra se conhecer a cidade é mesmo, de bike e a pé!

No centro, fui na casa da Anne Frank. Uma judia novinha que escreveu um diário relatando os 2 anos em que viveu com sua família e uns outros judeus em 3 cômodos escondidos no escritório do pai. Eles ficaram esse tempo todo sem contato com nada do mundo (uma ou outra pessoa levava comida pra eles) fugindo dos nazistas! Tenso o negócio e uma época foda... Caguetaram eles, os nazistas os pegaram e mataram a menina, aos 16 anos. Encontraram uns diários dela que acabaram virando um livro. Existem frases espalhadas pela casa, deixaram a casa do jeitinho que era, tem vídeos, objetos, muito legal mesmo! Tentei usar o golpe da carteirinha do estudante com o RA da Unicamp (me disseram que alguns lugares aceitam), mas não rolou.

Ali do lado da casa da Anne, existe uma igreja protestante (Western Church) com uma torre muito bonita! Muito animal a igreja por dentro! Muito mesmo! Um órgão doidaço fazendo barulho, a disposição das coisas é bem legal também, uns escudos cravados no chão. Um lance bem diferente e legal...

Conhecidos esses 2 lugares, sai rumo ao centro pra encontrar outras coisas. Por onde você anda, prédios legais que dá vontade de ficar tirando foto de todos. Fui de bike até encontrar a muvuca máxima mas voltei para onde estava. Não achei nenhum lugar bom pra parar a bike. Entenda-se lugar bom, um lugar que tenha um ponto de referência muito fácil! Por exemplo: na porta de entrada da igreja protestante!

De volta ao centro, mais muvuca ainda. Vi um prédio animal que era um prédio e era um shopping. Dentro dele, lojas desconhecidas e todas as vitrines sem preço! Descobri que isso é normal aqui... Rendido, resolvi comprar um mapa para me situar melhor. O cara da loja foi mega simpático e me deu dicas, explicou várias coisas. Mas algo me incomodava: um dos desafios dessa viagem era comer o lanche típico do Mc pelos países que eu passar. E num achava a porra do Mc.

Pelo horário, resolvi ir para um ponto interessante mais perto, dividi meio que a cidade em 3 pedaços, fiz 1 hoje e pretendo fazer os outros dois amanhã e depois. Enfim, andei até chegar numa praça gigante, tipo o largo do rosário. O lugar chama Dam. Cheeeeio de turista de todos os cantos, todo tipo de gente e cheio de... pombas! E ali, é um pseudo caos! Os sinais já num são mais tão respeitados, o povo atravessa no vermelho e foda-se e assim vai...

Fui andando numas vielinhas, até que achei ele: MÉQUÊ! Entrei, pedi um Chicken Wrap e um McKroket. O primeiro, é tipo uma massa de crepe, com um super nuggets dentro e um molho de mostarda bem gostoso. O segundo um hamburguer que é um croquete e um molho. Bem gostosinho o lanche, com um gostinho peculiar, parece coentro, sei lá! Bem gostoso mesmo... fui dar o golpe de escovar os dentes no banheiro do Mc mas pagava!

Rodei mais e ali sim vi a Amsterdam que me falavam! Nego fumando maconha na rua e putaria por vários lados. Eis então que me deparo com o Museu do Sexo! Óbvio que entrei e foi uma das coisas mais da hora que eu já vi! É muito animal! Com o Hérnia e o Thiagunho junto deve ser mais fantástico junto! Logo de cara, tem um casal de bonecos, num lugar escondido que quando você passa pela frente, eles começam a gemer. É massa ver a reação das pessoas. Dentro do museu, tudo o que é possível ligado a sexo. Legal o jeito que eles abordam isso com uma coisa normal e da natureza humana, presente na vida desde sempre! Tirei várias fotos mas que se postar no picasa, me expulsam. Então, depois mostro a quem interessar.

O ponto alto foi quando eu tava num salão mais quieto e foi indo embora. Umas meninas com a máquina apontando para um lugar e eu achando aquilo bem estranho. Enfim, fui me embora... eis que de repente brota um Luretha (tipo uma mina boneco das carvenas, peluda e pelada) fazendo um "Urrrrhhhaaaaaaa". Cacete, levei um puta dum susto que as minas não conseguiam tirar a foto. Elas tavam ali esperando um troxa passar a e se assustar pra tirar a foto... o troxa fui eu mas elas num deram conta tamanha minha reação! E as minas num conseguiam olhar pra minha cara que riam de novo! Foi foda..

Depois disso, mais um rolê ali pelo centrinho, um pedaço bem fétido e vi um mendigo, tipo Gardaço, caçando comida no lixo! Achei que isso num tinha aqui... vi também gente pedindo esmola dentro do Mc e uma POMBA dentro do Mc! Uma pomba, bicho!

Voltei pra casa e cá estou eu, subindo umas fotos e escrevendo essas coisas pra facilitar a vida quando eu voltar... O que vai ser da noite, ainda não sei! Essa é minha última noite na casa do Mick. Amanhã, vou pra casa da Corline e vou na festa do Pic Nic. Acho que é isso por hoje. Bunda quadrada de tanto andar de bike mas tá bem mais da hora fazer isso do que conhecer a cidade por guia turístico!

PS: E o medo de entupir a privada sem água daqui do apartamento?!?! Mas ela deu conta!!!


22.09 - A sensação do lugar estranho...

Saí de Guarulhos, depois de encontrar com a Ju e o Fabrício. Entrei no avião, bem grande por sinal. Um senhor me recebeu na porta do avião, todo sorridente dizendo "Good afternoon!". E haviam vários desses senhores e senhoras lá dentro. Poliglotas. Eu falava em Inglês e depois percebia que a pessoa era brasileira.

Mas, enfim, sentei no meu lugar e um cara do lado, com uma cara de bosta, perguntou em francês pro aeromoço se os bancos da frentes estavam vazios. O cara falou "Não, seu porra! Os arrombados estão chegando!". Lógico que ele não falou isso, mas eu tô usando a minha tradução com base no que eu falaria... :) Pensei comigo "porra, dum lado dum francês!?". Mas o cara num era francês. Era um brasileiro que trampava na Argélia e volta pro Brasa, por 10 dias, a cada 3 meses. Até me ofereceu um queijo do jantar que ele não queria...

O avião é moderno! Televisãozinha pra você escolher filmes, seriados, documentários, músicas. Assisti um pedaço de um Friends, um pedaço de Grease e o filme do Wolverine! E é grande o avião, hein! Cacete... turbulências de leve, nada muito intenso. Apanhei pra abrir a porta do banheiro mas deu tudo certo. Aqueles travesseirinhos de pescoço ajudam mesmo!

Cheguei em Paris pra conexão. Passei por um policial que perguntou pra onde eu iria, ao ver meu passaporte em branco. Falei que era pra Amsterdam e ele me liberou... Como descia e embarcava no mesmo terminal, não entendi se seria no mesmo portão ou não e saí seguindo as instruções de conexão. Andei, andei, andei até que descobri direitinho o meu vôo e fui em direção ao embarque. Uma fila grande, chegou a minha vez, entreguei meu passaporte e ganhei um carimbo! Eu acho que isso foi a imigração e o que ela carimbou era o que eu acho que é o visto. O que foi "decepcionante" porque eu esperava um mega interragotório e um carimbo gigantão, bonito, cheio de firula. Porra nenhuma...

No vôo para Amsterdam, um monte de japonêis, chinês, tudo com máscara da gripe suína. Sem maiores emoções, desci no aeroporto de Amsterdam. Ninguém me parou, nem me pediu nada, fui seguindo o barco. Ainda fui perguntar pra mocinha do balcão de informações, se era preciso passar pela imigração. Ela disse que não, então fui embora.

Aí a treta começou! Peguei minha mala e agora?!?! Perdidaço, escutando um monte de gente falar um pseudo alemão que você num entende porra nenhuma. Trens com nomes de estação tudo zoado e que nenhum bate com o que você tem de referência. E um monte de maquininhas pra você comprar seu ticket... fudeu! Fui perguntar pra uma tiazinha como eu fazia pra chegar na estação que queria e ela me disse "o próximo trem sai daqui 2 minutos." e falô! Tentei mexer na porra da maquininha mas nem sabia o que comprar, existem milhares de tipos de ticket. Voltei lá e ela me falou pra ir num guichê. Aí sim, uma senhora super simpática, me vendeu o ticket. Que eu nem precisava comprar... porque você num precisa mostrar pra ninguém, nem validar me lugar nenhum. Locura, né?!

Desci na estação de trem mas e agora para chegar no endereço da onde ficaria?! Num tinha muitas informações e fui perguntar para outra mocinha que falou pra mim que eu teria que pegar o "tram" 12. Achei que era trem normal e perguntei pra ela "E eu pego aqui dentro da estação?". "Não, lá fora, a esquerda!". Num entendi porra nenhuma... sai, com uma puta interrogação na cabeça, e perguntei pra uns seguranças que me mostraram o que era um tram (que é diferente de train) e lá fui eu, pra mocinha que vende tickets. Nesse meio de transporte a fiscalização é um pouco mais forte.

"Moça, eu preciso descer o mais próximo dessa estação... Você pode me dar um sinal, por favor, quando tiver chegando?". "Topo, topo! Por que não?!"... e anda... e anda... e anda. Até que a corna olha pra mim e fala "Puuuuta! Esqueci de você!" isso que eu tava na visão da lazarenta! "Você vai ter que descer e pegar outro tram, o de volta.". Desci, peguei o outro tram e expliquei pra nova moça e perguntei "Preciso pagar de novo?". "Você scanneou o ticket quando saiu do tram a primeira vez?". "Não, num me falaram nada...". "Então tem que pagar! Sempre que você entrar e for sair do tram e quiser usar o mesmo ticket, scanneia na entrada e na saída!". Fiquei procurando até agora, em todo tram 12 que vejo, a corna da lazarenta que me esqueceu mas até agora num achei! Mentira, lógico...

Dessa vez, não esqueceram de mim, e desci no lugar certo. Achei o apartamento onde ficaria e mandei uma mensagem pro Mick, rapaz do couch surfing que me responderia. Nisso, as minhas costas moendo com os 50 kilos de bagagem que trouxe na minha "mala". Tava foda. O Mick me indicou um restaurante e lá fui eu comer. Bem da hora o lugar e gostoso! Um lanche de ciabatta com carpaccio, rúcula, um molho doido, queijo e umas sementinhas que faz lembrar um amendoin. A garçonete não falava inglês então foi tudo no "acho que esse"... E bem gostoso mesmo o lance.

Fiquei o resto do dia rodando pelo bairro, o pouco que a mochila deixava, visitei uma igreja perto daqui do apartamento. Percebi que é um bairro bem árabe, islâmico, essas coisas. Um monte de "turco" pela rua, indiano, mulheres com roupas cobrindo o corpo todo e restaurante árabe por todos os lados. Parei numa praça onde tava rolando um joguinho de futebol entre molecada, tipo uma peladinha e, diga-se de passagem, com placas de patrocínio. Foda! Acabei a tarde numa lan house ouvindo balada indiana e sendo atendido por um indiano de télson que nem o do Piu.

Eis que deu o horário combinado, o Mick me ligou. E aí vem a primeira gafe do inglês. Falei com ele que estava perto da casa dele e ele perguntou se eu tava "close" (perto) da casa dele. Eu entendi o close como clothes e comecei a responder que tava com um jaqueta laranja! Óbvio que ele num entendeu nada e quando eu percebi a cagada, respondi de novo!

O cara é muito gente boa! Muito! Me deu uma cópia da chave do apartamento e me emprestou a bike dele (você vai entender no post do dia 23). Fui com ele no supermercado, umas marcas conhecidas, mas achei interessante tem um máquina lá que tudo quanto é coisa de bebida que é reciclável que você joga nela, ela gera créditos que você pode abater nas suas compras! Bem legal!

Compra feita, ele combinou com um amigo de fazer um jantar com comida típica holandesa, viemos para o apartamento, uma brejinha. Aí expliquei pra ele do "beber sem brindar", o bicho tá brindando em todos os lugares possíveis e imagináveis agora. Os amigos dele chegaram, muito legais os caras, tentei conversar o que deu com os caras, com um dele conversei bastante sobre futebol, mostrei a camiseta do Bugrão, e com o outro conversei um pouco do sistema econômico brasileiro! Uia! Eles entenderam tudo que eu falei? Provavelmente não! Mas eu entendi. Disseram que meu sotaque é diferente... acho que foi o jeito que encontraram de dizer, educamante, "Teu inglês tá foda, meirmão!".

De janta, um purezaço com muita verdura que eu num lembro o nome, bacon, um creme com um tempero que parece fondor e um salsichão! Da hora, viu! Da hora memo! Eles disseram que batata é o forte aqui. De sobremesa um creme meio creme, meio chocolate que vende pronto. E ficamos conversando, tentando, várias horas sobre várias coisas. Fui ajudar a lavar a louça e eles lavam de um jeito bem estranho aqui! Manja aqueles negocinhos que você põe na pia pra não deixar a água descer? Põe isso na pia, deixa encher de água, joga um detergente na água e deixa as coisas ali de molho. Aí pega uma escova, passa no prato, talher, copo, sei lá, e enxagua nessa mesma água e enxuga! Estranho, né?! Um dos amigos, o Rick, me explicou que eles tem esse hábito pois antigamente água era muito raro e caro por aqui. E encontraram esse jeito de conseguir viver com o que tinham. Mas que a namorada dele, do SURINAME (!!! SURINAME, bicho) acha estranho também. Acha sujo, na verdade... Mas se é assim que os caras lavam, que assim seja.

Hora de dormir, peguei o colchão, coloquei na sala e dormi... Pior que o Mick veio me falar boa noite e tchau, sempre ouvi que europeu é frio e tal. Ele esboçou um abraço, achei meio estranho e manja quando você fica naquele vai num vai? Aí ele me deu um abraço de verdade e eu fiquei puta sem graça por ter agido daquele jeito. Enfim... ah, o cara não é viado e não quer me comer! hahahaha