quarta-feira, 30 de setembro de 2009

29.09 - O dia dos extremos!

Aqui em Munique tinha um campo de concentração dos grandes. Dos grandes mesmo. E que serviu de modelo para tantos outros na Alemanha. Após o fim da guerra, resolveram fazer dali um museu / memorial para mostrar para o mundo, o tamanho da cagada que foi aquilo. E lá fui eu conhecer...

É uma experiência, no mínimo, estranha. Numa comparação imbecíl, até comentei isso com o Java, foi como ver lâmina de meiose \ mitose pela primeira vez. Óbvio que com sensações completamente diferentes. Você sempre vê em livros, registros, fotos mas parece que aquilo não existe mesmo. E quando você chega ali, você vê que aquela porra toda aconteceu mesmo.

É um clima pesadíssimo! Pesadíssimo! É um lugar que não tem cor, não tem vida. É estranho. Vi pessoas chorando, o que é perfeitamente compreensível. Do campo todo, ainda tem um prédio central, onde eles fizeram um museu, duas barracas, onde os prisioneiros dormiam, e a parte do crematório. Disparado, a pior parte de todas. Fora isso, inúmeros memoriais, monumentos e igrejas, todos feitos recentemente.

Achei legal o museu. É bem interessante como eles mostram como foi que tudo isso aconteceu. Que não foi tipo da noite pro dia que o Hitler (aliás, todas as fotos dele aparecem com uma mancha branca no rosto, não sei se proposital ou se alguém fez isso) acordou e falou "Vou acabar com esse povo.". E esse povo não era só judeus. É interessante ver a evolução dos fatos que culminou nesse caos todo.

Mas, ir pra parte do crematório é algo trash! Você começa por um lugar onde eles desintoxicavam roupas e pertences das pessoas, passa pela sala de espera do "banho" e passa dentro da câmara de gás que eles usavam pra matar os prisioneiros (eles diziam que iam levá-los para tomar banho). Cara, é muito ruim a sensação que dá. Não dá pra definir ou tentar explicar. Não dá vontade de tirar foto, nada... dá vontade de você sair. E só! E ir embora. Algo que vale a pena de se conhecer e se ver pra ter noção do quão estúpido o ser humano pode ser. Punk o negócio.

Do extremo da energia negativa, fui para o extremo da energia positiva: vamos para a Octoberfest. O Java me explicou assim "Desce na estação tal e segue o fluxo!". E não tem como errar. É um fluxo constante de pessoas indo para lá.

Ao chegar na festa, fiquei bem surpreso! Eu imaginava tipo um espação, com umas tendas e só cerveja. E era isso. Mas não! É tipo uma festa do figo, festa da uva! Só que ao invés de fruta, o tchan é a cerveja! E é algo super traidicional deles, tipo a nossa festa junina. O povo se veste a caráter, tem barraquinhas de lembranças, comidas de todos os tipos, parque de diversões. E lá no fundo, um puta prédio fantástico com uma estátua enorme!

Cheguei mandando pra dentro um salsichão! A-NI-MAL! Hora de seguir os conselhos de Alessandrin e procurar a tenda da HB. Entrei na HB e lá encontrei um monte de... Alessandrin! O lugar é imenso! O povo fica em pé em várias mesas (em cima delas), com aquelas canecas gigantescas de 1L (num guenta, bebe leite) e conversando e falando e ouvindo o som da bandinha. Que ao término de cada música, o cantor pega uma caneca e começa a cantar uma música tipo "Eu bebo sim, estou vivendo" e o povo começa a brindar! Só que os brindes são umas putas porradas numa caneca na outra! Vixe!

Mas, enfim, chegando lá, descobri que o que você precisa, pra sobreviver sozinho na Octoberfest é de uma camiseta do Brasil. De cara, já encontrei os Alessandros: "Caraca, meirmão! É brasileiro essa porra! Onde tu tava que tu demorou! Coé!". Um bando de carioca da Marinha que tá por aqui. Já me enturmaram, já puxaram papo e a coisa começou a fluir. Com a camisa do Brasa, fui parado por um monte de gente! Franceses, italianos, australianos, argentinos (tinha um Jorge) mais brasileiros e assim vai! Fiz até amizade com as tiazinhas da cozinha! Eu olhei uma mulher dentro da cozinha e pensei "É brasileira!". Pelo sorriso dela. Deu 2 minutos "Ô, brasileiro!". E era comigo!

E o povo bebe. Mas bebe. Mas bebe... é de impressionar! E num tem comida? Tem sim senhor! Uma costelinha de porco FAN-TÁS-TI-CA numa porção gigantesca que eu não dei conta de comer. Comi metade e a outra metade dividi com uns gringos que eu não faço a mínima idéia de onde eram! E cai no golpe da cerveja de 1L. Você vê e fala "Ah, dá pra tomar 2!". Só que 2 são 2 LITROS de breja. É de bagunçar a vida...

Apesar do clima de bebedeira, nego derrubando cerveja em você, a energia que rola ali é bem legal! Gente do mundo inteiro se conhecendo, se falando... Achei muito legal mesmo! O ponto alto da festa foi quando a bandinha começou a tocar Boemia Rapsody (não sei se é assim que escreve) do Queen! A tenda veio abaixo e a negada pegando fogo cantando! Fim de festa, tipo um pretzel com queijo em cima pra completar e, pra ocupar a parte doce do estômago, uma macadâmia cheia das firulas lá. Beeeem da hora!

De volta pra casa, fui conhecer o lab que o Java tá trabalhando. Os caras tem uma estrutura muito legal lá! E o Java tá tocando o terror aqui nos caras! Produzindo que nem um doido, publicando sem parar. E o da hora é que ele trampa no prédio, ou melhor, na sala do cara que "descobriu" a esquizofrenia e um dos alunos desse cara, que também trabalhava nesse prédio, era um tal de Alzeihmer! Doido, né?!

Com o pé moído e as costas explodindo de dor, cama é o que me resta!


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