quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pra tudo na vida...

Ter uma emoçãozinha a mais, chega de posts! :)

Deu uma cansada, o tempo tá escasso e tá chegando no fim. Vou tentar deixar as fotos em dia. E é isso! Barcelona é bem legal! Mas vi gente sendo roubada no meio da rua hoje! E os gringos que eu conheci pegaram um traveco! Fui numa balada bem loca aqui! Animal mesmo! Peguei praia no Mediterrâneo! E vi a "lojinha" do Barça... Ah, e várias coisas do Gaudi também!

Enfim... amanhã, o destino é Londres. O clímax da viagem. O lugar que eu mais tinha vontade de conhecer e vamos ver do que é feito! Almoço na google confirmado (viiiiiixe) e vamos que vamos!

É isso! Vou tentar manter as fotos atualizadas (picasaweb.google.com.br/leguimas) e o twitter (www.twitter.com/leguimas) também. E chega! :) :)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

11.10 - O Rio de Janeiro dos caras...

Dia de acordar "cedo" e ir embora de Lyon. Não só disso mas como de levar um chá de cadeira no aeroporto. O vôo atrasou em uma hora, mais ou menos. E, além disso, tive problemas com a bagagem de mão. Porque francês é crica. Eu tô com uma mochila e comprei uma malinha pequena de mão pra levar umas coisas. Só pode uma. Então, tive que pagar pra despachar a minha pequena mala enquanto pessoas entravam com malas monstruosas de mão no vôo e, ainda assim, sobrou espaço a dar com pau nos maleiros do avião.

Mas enfim, cheguei em Barcelona. E chegou o Matheus com uma plaquinha de identificação! Manja quando ficam aquelas pessoas com uma plaquinha escrito "Fulano"? Ele fez uma dessas, foi engraçado. Dando o contexto, eu estudei com o Matheus no Dom Barreto, onde estudei do primeiro infantil até a oitava série. Não lembro ao certo quando a gente se conheceu por lá, mas eu acho que foi da quarta-série pra frente que ficamos mais amigos.

Barcelona lembra o Rio mesmo! Uma avenidona a beira mar, com uns prédios novos e aquele climão gostoso de praia! A areia daqui é diferente... mais grossa! A cidade te recebe bem com esse ar praiano! É gostoso! Foi só o tempo de deixar as babagens em casa e ir pra praia aproveitar um pouco do sol.

E aqui a noite pega! Pelo o que eu entendi é balada todo dia pegando fogo! Fomos primeiro num videoke. Aí você vai pensar "Que merda!". Mas videoke aqui, num é fim de carreira que nem no Brasa. O lugar é bonito pra cacete, ficam vários telões pra todo mundo acompanhar o cara cantando e o lugar tava lotaaaaado! O povo cantando My Way, I Will Survive, música para todos os gostos!

E, depois disso, fomos pruma festa brasileira. Lugar insuportável de cheio mas a saudades do calor e do mundo fez isso ser mero detalhe. Uma bandinha tocando.... axé! Uma gringaiada pegando fogo com as músicas, a brasileirada cantando sem parar! Pô, a música era boa? Booooa, boooooa, na linha da qualidade, não! Mas, porra, foi gostoso!

E o esquema aqui funciona assim: não tem metrô da meia noite as cinco. Ou seja, o jeito mais fácil de voltar pra balada é depois das 5... :)


domingo, 11 de outubro de 2009

10.10 - A marvada...

O dia em Lyon foi de... ressaca, eu acho! A brincadeira de experimentar os diversos tipos de cerveja e ter ido dormir mais tarde (falei com várias pessoas do Brasil) fez com que eu acordasse, como diria meu pai, com um tiro na asa. Não só eu como o Léo também. Mas, fomos pra rua. O tempo tava bonito, com um céu azul e tal.

Pra começar, fomos até o prédio da prefeitura aqui que estava aberto. Aliás, se eu não me engano, aqui tem 1 dia por ano que os prédios históricos ficam abertos de graça para a população ir visitar. Bem bonito o prédio, com aquelas decorações todas antigas e pomposas.

De lá, fomos conhecer o "mercadão" dos caras. Mercadão porque o negócio é super chique, cheio das firulas. Mas, é um mercadão! O que eu gosto muito! Milhares de queijos, defumados, azeiter, vinhos (que num é muito minha praia) e etc. A coisa estranha foi ver que eles vendem frango inteiro, mas com o pescoço inteiro! Com as penas ainda e tal... é bem estranho de se ver.

Lá, o Léo me fez experimentar um doce deles chamado macarron. É como se fosse um hamburguinho doce com 2 pãezinhos de massa e o recheio é uma pasta de alguma coisa. Pegamos de limão, laranja com especiarias, framboesa com qualquer coisa e chocolate com maracujá! Este último era MUITO bom! MUITO! o doce é meio geladinho, nada enjoativo, dá pra comer uns 38!

Quando saímos de lá para ir ao mega parque daqui... chuva. E parecia perseguição: a gente começava a andar, chovia. A gente ia pra debaixo de algum lugar, parava. Até chegamos a ir ao parque mas não deu pra ver nada. Só que o parque é realmente animal. Tem zoológico, jardim botânico, uma porrada de coisa dentro do mesmo parque.

Desistimos de esperar a colaboração da chuva e voltamos pra casa pra tomar cerveja e jogar wii. Pra night, um bar que é dentro de um barco que fica em um dos rios aqui. É um bar, balada. Normalmente, balada num é minha praia. De ressaca, então, menos ainda! Rs. Mas foi engraçado ver a francesada dançando rap americano, umas músicas assim. E o estranho daqui é que ninguém se mistura, se conversa... é esquisito!

Em tempos, esqueci de comentar que, pela primeira vez na Europa ouvi um carro com som alto! Bem alto mesmo! Adivinha a música... chuta! "Se ela dança, eu danço! Se ela dança, eu danço!". Fiquei rindo sozinho...

Amanhã é dia de partir pra Barcelona e dar início a última semana da viagem. Num misto de sensações de quero ficar mais com sensações de saudades de casa e dos amigos! E de ir no brinco! Tá foda ficar acompanhando de longe, pela rádio ou pelos gols no youtube!


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

09.10 - Chuva e Cerveja!

Assim se resumiu o dia de hoje. Dia de acordar mais tarde e meio ressaqueado das cervejinhas de ontem a noite. Pra ajudar, um tempinho de revolução: aquela chuvinha chaaaata, querendo estragar o dia! Seguindo os conselhos do Leonardo: vai andar, Gordo!

Fui conhecer a igreja que o Java tinha comentado e que, realmente, é muito bonita. Por dentro existem uns mosaicos muito bem feitos em paredes bem grandes. Lá, também, dá pra se ter uma visão do alto de Lyon. Quer dizer, daria se a neblina deixasse.

Fui conhecer a Lyon antiga que é, digamos, puro charme! A cidade cresceu ao pé da igreja e é toda cheia de ruinhas de paralelepípedo, cheia de casinhas e restaurantezinhos! Climinha lua de mel total! Mas muito gostoso e aconchegante. Aproveitei a passagem por lá pra conhecer um museu dedicado a miniaturas!

Ainda passei pelas ruínas do império romano que ainda existem por aqui. Meu, é muito doido pensar que os caras lá de Roma, sem avião, sem maquinário ultra-moderno, chegaram até Lyon na base do cavalo e do bom e velho "pé dois"! Eu acho isso muito animal!

Uma volta a beira de um dos rios e hora de encontrar o Leonardo na Ópera. E fomos para um barzinho ANIMAL! É um pub onde o forte dos caras são as cervejas belgas. E o da hora é que quando você pede uma breja, os caras trazem o copo específico da breja e a bolacha específica da breja. Óbvio que como sou brasileiro pé rapado, peguei todas a bolachas pra mim!

Na volta pra casa, uma chuva lazarenta de chata e um parto pra achar um táxi e nos trazer de volta. Pegamos um táxi porque um amigo do Léo estava com o pé torcido. Aliás, a mesa tava engraçada: ora se falava português, ora espanhol, ora francês e ora inglês! Esse mundo internacionalizado... :) :)


08.10 - Vive la France!

Dia de deixar Roma e ir rumo a Lyon. Dia chatinho e perdido. A diária do hostel vencia as 11:00, meu vôo era só as 16:00 e eu tinha uma mala pesada pra cacete nas costas. Num dá pra fazer muita coisa. Além disso, a empresa do busão que vai pro aeroporto, fala pra você pegar o busão 3 horas antes do vôo e você já vai entender o porquê.

Arrmuada as malas, feito o checkout e tudo mais, bora lá pegar o busão. O busão tava previsto pra sair 12:45. Saiu mais de 13:20. Quem gerenciava tudo era um viadinho mal resolvido que se achava dono do mundo e melhor que você porque ele vendia os tickets pra ir pro aeroporto. Lazarento... mandou formar a fila pra ir pro busão e fez o povo, incluindo eu com a minha mala gigante, ficar em pé lá esperando. Corno! Lazarento!

Enfim, chegou o ônibus e aí sim começou a aventura. O motorista era tipo locão e ele pilota o busão como quem pilota um fusca. Só que o busão é 50 vezes maior e tem pessoas dentro! Rs... Ele ia acelerando, trocando de marcha rápido, freiando em cima e dando buzina em quem ousava cruzar a sua frente. Teve uma hora, num balão que eu vi ele enchendo a bunda do carro da frente. Mas o anjo da guarda do motorista do carro conseguiu segurar a fera!

São e salvo no aeroporto Ciampino (longe, afastado e só a EasyJet e a RyanAir operam lá), bora ir pra Lyon. O aeroporto daqui é super bonito, todo estiloso e modernão. Peguei o busão rumo ao centro e... TRÂNSITO! Infernal! Daqueles tipo das marginais de São Paulo... Eu iria descer na última estação. Mas, de repente, o busão para e, com a ajuda de uma senhorinha que falava inglês, o que rolou foi o seguinte: por causa do trânsito o busão tava atrasado, então, parou ali no meio do caminho e precisava voltar. Se você quiser, espera o outro busão ou te vira pra ir pro seu destino planejado. Locura, né?! Mas isso era na frente de uma estação de metrô e o Léo veio me buscar.

Primeiras impressões de Lyon: a cidade parece bem bonita, essa parte que estou parece ser a Lyon nova, amanhã vou conhecer a Lyon antiga. Pontos de ônibus todos bonitos, cheio de banquinhos, informações, coberturas. E aqui, tem também, aquele esquema de pegar uma bike "do povo" que nem rola em Viena. O mais gostoso do dia foi voltar de bike, tipo uma, uma e pouco da manhã, depois de ter tomado umas brejas, sem medo nenhum e curtindo a cidade!


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

07.10 - Sabe aquela história...

De "é que nem ir a Roma e não ver o Papa!"? Pois é! Não aconteceu comigo. Capotei ontem e acordei com o objetivo de ir ao Vaticano. Ao chegar no metrô: muvuca! Mas muvuca mesmo! Tipo lotação plena, tive que desligar a escada rolante porque não tava tendo vazão! Óbvio que um italiano falou pra mim "Ma que! Ma aperta esta porra!".

Chegando no Vaticano, mais muvuca ainda! Uma movimentação, acesso restrito à Basílica de São Pedro. Fui perguntar e era aquilo que disse ontem mesmo: o Papa ia lá falar. Do tempo de eu chegar, até começar o show, eram uns 15 minutos. Resolvi esperar.

E lá veio ele, com o Papa Móvel! O loco é que parece show do Seu Sílvio. Vem caravana de tudo quanto é lado com bandeira e tudo mais. A medida que anunciavam algo relacionado a caravana, era uma festa só! Gritaria, bandeiras balançando ao ar. Bem maluco mesmo! E quando o Papa começou a falar, eu só tirei umas fotos e corri pro Museu do Vaticano na esperança de não ter muita gente.

O que valeu a pena, mesmo, do Museu do Vaticano foi: o museu egípcio e a Capela Sistina. Se bem que o museu como um todo é bem loco! Bem loco mesmo! Não me lembro de ver um pedaço, seja de parede, de teto, em branco. Cara, é pintura pra tudo quanto é lado, detalhes pra tudo quanto é lado. É muito loco isso! Arte sacra, é claro...

No museu egípcio, múmias, milhares de objetos da época dos faraós. Eu curto absurdo isso então, pra mim, foi um prato cheio! Aí você anda, anda, anda, passa pelos cômodos do Rafael (que são bem da hora também) e chega na Capela Sistina. Hermanoteu, véi! HERMANOTEU, VÉI! O negócio é MUITO animal! MUITO! No sério. As pinturas do teto e do altar, do Michelangelo, são fora do normal. E se voce pensar como o cara fez pra pintar um TETO, um TETO BICHO, com tamanha perfeição, é de deixar mais boquiaberto ainda. Muito animal! Mas do tipo muito animal mesmo!

Quando acabei o Museu do Vaticano, a Basílica de São Pedro já estava aberta então fui pra lá. A igreja é muito grande, toda trabalhada. É poderosa, manja? Você olha e fala "Caaaraaaaalho!". Mas como não tenho muito apego à Igreja Católica, não me comoveu nem nada. Inúmeras referências à São Pedro, tem o túmulo do cara lá, assim como o túmulo de vários papas e teve um lugar que eu não sei dizer se era boneco ou se era um papa morto mesmo que estava exposto lá.

Pra aproveitar o dia e conhecer ainda mais Roma, resolvi voltar a pé do Vaticano até o Hostel. Passei por cima do Tevere, com sua água verde, e me perdi em um monte de ruazinhas de Roma. Tudo isso graças ao meu faro de perdigueiro que puxei da minha mãe! Mas isso é muito gostoso! Aliás isso aconteceu até agora como um todo, não só aqui. Você desobre vielinhas, ruazinhas mó típicas e vai vivendo um pouco mais da cidade.

Cheguei ao meu destino, a Praça Navona, onde tem a embaixada do Brasa. Aliás, diga-se de passagem com uma bandeira de pôr respeito em qualquer um. E lá, bem em frente à embaixada, um quarteto tocando várias músicas. Era um sax, uma sanfona, um violão e um contra-baixo. Animal! E começaram a tocar músicas brasileira: Garota de Ipanema, Aquarela do Brasil e "Choooooorando seu foi, quem um dia só me fez chorar...". Da onde tiraram isso, não sei... mas que foi animal ver os caras tocando as outras duas músicas, isso foi!

Roda, roda e roda, tá na hora de voltar pro Hostel. No quarto, chegou um casal de argentinos. Boa gente os dois. Conversamos um pouco e tal. E chegou, também, o casal americano com o cara que canta country. Eu caí na besteira de perguntar como foi o dia deles e o cara começou a "cantar" e eu só sorria, fingindo que tava entendendo alguma coisa! Sotaque do piru...

Umas brejinhas pra relaxar e resolvi apertar o foda-se e aproveitar Roma. Roma é caro! Bem caro! A cidade mais cara que passei até agora. Mas, se tô na Itália, vou comer como um Italiano e dane-se! Alguém paga...

Procurei na internet e encontrei um restaurante aqui perto com boas referências em dois sites. Resolvi arriscar. Cheguei, toquei a campainha mas tava lotado. Não sei se era isso mesmo ou se a tiazinha não gostou de eu estar de havaianas. Sem ter referências, parei um tio que tava entrando no carro e pedi uma dica pra ele. Ele me disse de uma rua, muito perto aqui do Hostel, e lá fui eu me arriscar.

Passei no primeiro restaurante e não me chamou muito atenção. Como o tio disse que tinha outro, fui andando mais e até vi o outro. Mas tava vazio... eis que de repente, ouço, do outro lado da rua, uma tarantela e uma sanfoninha tocando música. O lugar, um butequinho. Gamei! Cheguei lá, um monte de gente falando em italiano, o que me fez crer que não era point de turista. Perfeito!

Quem veio me atender foi um garçom comportado. Mas tinha um outro, italiano típico: baixinho e com cara de mal encarado. Mas um figuraça! Zoou todo mundo que passava o tempo inteiro, falava que falava inglês e começava a soltar umas frases do tipo "The book is on the table!", falava japonês e tudo mais. Mas, comer que nem italiano é azedo.

O esquema aqui funciona assim, acompanha comigo: primeiro tem a entrada. Pedi uma mista que veio: presunto parma, parmesão de verdade, mussarela de búfala, abobrinha, champignon e pão italiano! Daqueles de verdade que é cascudo de machucar a boca, por fora, e macio por dentro.

Aí tem o primeiro prato, que é uma massa. Pedi um spaghetti alho e óleo com peperoni. Imaginei que o peperoni era uns pedaços de peperoni pra dar um gosto. Eram duas pimentinhas, pequeninhas. O macarrão: perfeito! Eles servem bem "al dente", e tava perfeito no sal, no azeite, no alho, na pimenta (picantezinho) e na coisa verde pra dar gosto, que eu acho que era salsicha. Resolvi picotar a pimeta. Vééééééio! Pra que fiz isso. Eu transpirava na sombrancelha, no bigode, na testa! Mas tava MUITO bom!

Depois, vem o segundo prato, que é uma carne. Pedi, de gula porque só o macarrão já tinha dado conta mas vamos comer que nem os caras, um escalope de porco e de vaca ao funghi. Estava FAN-TÁS-TI-CO! Perfeito! Veio mais pão pra dar aquela "chuchada" no molho funghi. Teoricamente, depois viria o terceiro prato, que é uma salada, e a sobremesa. Mas eu num dei conta e desisti.

Roma é animal! É histórica e caótica! Conversando com um povo que já veio outras vezes aqui, disseram que está cada vez mais caótico e cheio de africanos, indianos. Mas é animal demais aqui. E posso afirmar, com toda certeza absoluta, que fechei com chave de ouro. Se ficou cara a janta de hoje? Dane-se. Alguém paga! Se bem que isso não tem preço...

PS: Fia, se eu pudesse, hoje era dia de fazer que nem o Veríssimo, de pegar a nota fiscal e mandar pra você no Brasil! Mas num tinha nota fiscal no lugar... :)


terça-feira, 6 de outubro de 2009

06.10 - Andei, andei, andei...

Roma é muito animal! Roma é bem animal! Principalmente na parte mais histórica onde você anda e tropeça em ruínas. E é ruína mesmo... coisa de antes de Cristo! Bem doido. Eu acho, pelo menos. Isso é até um "problema" pra eles hoje em dia. Eles estão tentando fazer uma nova linha de metrô mas sempre que escavam uma região, encontram alguma coisa e aí tem que parar tudo!

Dia de acordar cedo e colocar os pés na rua. Objetivo: conhecer várias coisas de Roma. O hostel aqui é bem localizado, do ladinho da estação central e bem perto do centro histórico. Comecemos o passeio por um monumento, uma igreja, nada de muuuuito interessante. Uma praça que era tipo um balneário há muito tempo atrás e, de repente, não mais que de repente, vejo um "muro" lá no fundo... viiiiiixe! Juro que deu frio na barriga!

Andando um pouco mais, imponente, gigantesco, animal: o COLISEU! A medida que eu ia chegando perto, dava pra escutar, nitidamente, o povo lá dentro gritando "eeeEEEEEEE! Vamo subir, bugreeeeee! Vamo subir, bugreeeeee! Vamo subir, bugreeeeEEEEEE!". Foi loco! O negócio é muito animal! Muito. E do lado dele uma avenida com o trânsito pegando fogo, vambora!

A região do Coliseu é mega histórica do universo. Na frente dele, tem a região do Foro Romano. Cara, o negócio era bem grande, vou te dizer. Ruína, ruína, ruína... O Java tinha comentado que os prédios aqui eram grandes. Mas tem umas coisas que são muito apelonas. E o foda é que foram construídas há muito tempo atrás...

Na busca de monumentos, vi, de longe, um prédio gigante. Chegando perto, o negócio era muito mais gigante que eu imaginava! Animal! Animal! No lugar tem museu, gente enterrada, soldados fazendo homenagem e muuuuuuuito mármore! Muito! Bonito mesmo...

Falando em soldados, dei sorte de ver a troca da guarda. Bem bonito o ritual e quando os caras (soldados) começaram a cantar o hino da Itália foi foda... arrepia! É bonito memo! E mó dancinha ensaiada. É engraçado ver rituais como esse em pleno 2009.

Passeando mais, vi a Fontana di Trevi! Fudido! Muito bonito! Muito mesmo! Joguei minha moedinha pra não passar em branco e tentei tirar umas fotos. Tentei porque tem MUITA gente lá. Assim como em todos os principais pontos turísticos de Roma. Dos lugares que eu passei, é o mais turístico de todos. Tem tanto guia, que cada um anda com uma bandeirinha, um guarda-chuva ou qualquer coisa que o reconheça.

Andei pra cacete hoje! Memo! Mas rendeu! O engraçado de estar na Itália é que o povo é meio stressado e parece que eles estão zoando enquanto falam italiano. Manja quando você começa a imitar um? Parece tipo isso... Teve uma hora que uma mulher atravessou a rua sem estar verde pra ela, dois veinhos dentro do carro começaram a reclamar "Maaaa que! Ma olha questa arrombada!". E no prédio loco aí que eu falei, tinha gente sentada em lugar proibido, os guardinhas chegam pegando fogo, apitando sem parar e falando "Ma num tá vendo que num pode sentar nesta porra?!".

A noite, brotou uma brasileira no quarto, me deu várias dicas de onde ir e tudo mais. Saí jantar (a pizza do Bráz é a mais gostosa ainda) e fiz uma tentativa frustrada de saída. Vi um barzinho aqui perto, fui até lá mas tava bem vazio e só com uns véios no balcão. Achei melhor desencanar e voltar pra casa.

Tirei milhares de fotos hoje que postarei com calma porque é muita informação e eu preciso dar uma selecionada. Amanhã é dia de Vaticano e o caos promete reinar. Parece que amanhã é dia que o Papa aparece pra falar um oi pra galera. Vamos ver o que rola...


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

05.10 - Gioconda petina mia...

Dia de despedida de Viena e pegar o barco rumo à Roma. Chato e triste dizer tchau pra Catarina. Doeu no fundo, me segurei pra não chorar, enfim, aquela coisa. Mas, check-in feito, bora pra Roma.

Chegando aqui, a primeira diferença que percebi em relação aos outros países que passei: aqui as pessoas sorriem! E bastante! O que me fez sentir um pouco mais "em casa"... Espera pra pegar a minha mala na esteira e... que porra é essa da minha mala aberta? Aberta e com coisas jogadas para fora... e cadê o fom que eu trouxe?! Sumiu! Cornos! Lazarentos! Fiquei esperando um monte e nada do fom aparecer. Sumiu mesmo. Fui no "Customer Service" do aeroporto e o cara falou "É... foi foda! Num posso fazer nada!". E assim se foi mais um fom pro saco...

Hora de pegar o trem. Chama Leonardo Expresso. Um calor forrrrte em Roma. Forte mesmo. E, durante o passeio, nada de novo. Muito pelo contrário, uma cidade mais suja, meio parecida com uma parte feia de São Paulo. O foda é que, do nada, aparece um arco gigantesco que deve ter uns mil anos de idade! Desci no centro e já vim pro Hostel.

Sim, vou ficar no Hostel. Falhou a missão não gastar nada com hospedagem. Não consegui couch surfing a tempo (marquei, é verdade), e vim parar no Alessandro Hostel onde, por incrível que pareça, tem um cara na recepção que lembra o Alessandrin. E só tinha quarto misto com 8 camas. Lá estou eu. Até agora, eu mais 3 americanos e 1 americana. Mas, pelo o que entendi, tem 2 brasileiras no quarto também. Um dos americanos parece que tá catando country o tempo inteiro por causa do sotaque dele.

Chegado no Hostel, descobri que eu precisava de um cadeado que lógico que eu não tinha. Nada como ter chineses por perto... pra lhe fazer passar raiva! Nenhum fala inglês. Tudo bem, não é obrigação. Comprei o primeiro cadeado: pequeno demais. Ok, cagada minha. Voltei e comprei outro, maior. O cadeado mais seguro que já vi na vida: você fecha e nunca mais consegue abrir! Nunca! Tive que correr, porque tava tudo fechando, e achei uns indianos que salvaram minha vida vendendo um cadeado que preste! :)

Ficar em Hostel parece ser legal: tem bastante gente, é agitado e movimentado. Tinha um cara na recepção agora há pouco, por exemplo, fazendo mágicas. Mas tem bastante molecada e você não consegue ficar tãããããããão a vontade. O espaço é mais regulado e tal... Vou capotar daqui a pouco para amanhã acordar relativamente cedo e ir atrás do Coliseu! Viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiixe! Esse sim! E aí me enturmo melhor por aqui e vejo o que rola.

Dia sem fotos (só do Desafio Mc), cansativo e quente! Talvez não consiga postar todos os dias aqui, mas vou anotando pra escrever depois... O mais importante: tô em Roma! :) :) A la sante!


04.10 - Dooooomingo de sol...

Não aluguei um caminhão mas fomos rumo ao Schönbrunn: um palácio de verão da realeza daqui de alguma época. Algo monstruoso, gigantesco! Com jardins fenomenais, fontes, tudo muito bonito e bem cuidado. Hoje em dia, no lugar, tem café, bosque e até o zoológico de Viena! Grande memo. Da hora você passear por ali e imaginar que há tempos atrás deviam andar pessoas todas requintadas, com aqueles vestidos imensos, aquelas roupas pesadíssimas... muito bonito o lugar!

Aproveitando o solzão e o calor que brotou no domingo, coisa super rara pra época do ano, subimos morro acima para ver Viena do alto. Para chegar lá, pegamos um busão! Que tava o caos! O primeiro que chegou, lotou! Ficou uma negada pro segundo que também lotou. Mas lotou tipo aqueles ônibus do Brasil com gente pendurada pra fora. A diferença é que num tinha nego pendurado pra fora e num tinha ninguém cantando "Se essa porra num virar, olê olê olá! Eu cheeego lá!".

Muita gente mesmo! Ficamos espremidinhos num canto lá e, do nosso lado, um senhorzinho que foi reclamando o tempo INTEIRO! Primeiro, era o calor! Como a maior parte do tempo aqui é frio, os ônibus não tem saída de ar, nem ar-condicionado. Imagina como tava o busão lotado, sem ventilação nenhuma... o veinho transpirava mais que eu jogando squash e reclamava... Depois, uma menininha derrubou refrigerante no chão e começou a ir em direção a ele. Depois, uma criança começou a chorar... e, por fim, uma menina, na lotação do busão, colocou a bunda e a bolsa na cara do véio! Aí ele ficou doido, começou a resmungar e empurrar a bolsa da menina! Foi engraçado...

A Catarina diz que isso é normal. Que o padrão deles, por mais que vivam numa puta cidade, é sempre reclamar! E ser durões... tanto que no trem, indo pro palácio, tinha uma avó com uma menina. Na hora de descer, a menina começou a fazer birra e a vó, toda cuidadosa, falando "Minha neta, vamos que nós precisamos descer...". A menina continuou com a birra. Uma véia que tava do lado, e nada tinha a ver com a história, soltou um "Ô, sua arrombada! Dá pra obedecer a sua vó, ô cacete?". A menininha na hora parou com a birra e saiu do trem... Eu ri!

Enfim, chegamos lá em cima. A vista é muito bonita mesmo, dá pra ver um monte de coisa de Viena! E milhares de pessoas tomando sol! Jacarezando, sabe? Todos estirados em umas cadeirinhas e ficavam lá: dormindo, conversando, lendo, fazendo o que for! O importante era aproveitar o sol.

Na hora de descer, ônibus tranquilo e paramos num bairro que fez lembrar Souzas. Casinhas mais antigas e casas super grandes super chiques. E cheio de lugarzinhos para comer. Paramos num restaurante que parecia ser uma casa beeeem antiga, mas super arrumada. Comi o schnitzel: um bifaço de carne de porco a milanesa. Se um miligrama de gordura, tirando a fritura. Lugar bem aconchegante e com garçons muito simpáticos. Saímos de lá e acabamos parando numa pracinha com uma dupla tocando música. Bem gostoso.

De volta em casa, hora de começar a acertar a vida para partir pra Roma. Catarina já me deu mapa, milhares de dicas. É fã absoluta da Itália.

E assim acabou meu último dia em Viena. Ter ficado aqui com a Catarina esses dias foi muito gostoso mesmo: deu pra pôr ordem nas coisas, matar as saudades, ser mimado até não poder mais. Dá um aperto pensar em ir embora pra Roma, onde serei, novamente, eu contra o mundo. Mas vamos que vamos! Roma é um dos pontos altos da viagem e tem tudo pra ser animal!


domingo, 4 de outubro de 2009

03.10 - Na vida de marajá...

Esses dias em Munique e Viena tem me deixado mal acostumado. Em Munique, quando acordava, a Laura já tinha assado os pães e lá estava a mesinha do café da manhã me esperando. E agora, aqui em Viena, o mimo é muito maior! Acordei tarde hoje, em função da baladinha de ontem, e, quando chego na sala, uma super mega hiper mesa de café da manhã. Não bastasse, Catarina feliz da vida preparando suco pra gente tomar! Acho que mais complicado que voltar ao ritmo de trabalho no Brasil, vai ser ficar sem essa mamata toda... :)

Super mega café da manhã tomado, hora de pôr os pés na rua! Fomos a um mercado a céu aberto que tem aqui. Uma espécie de mercadão, vai... Milhares de banquinhas de turcos com umas azeitonas bonitas, falafel (acho que é assim) e doces de monte. Muitas barraquinhas de frutas, algumas conhecidas e outras que eu nunca tinha visto. E várias padarias e lojas de produtos saudáveis. Aqui, o lance de integral e produtos orgânicos pareceu ser bem forte. Pra forrar o estômago, uma espécie de folhado de abobrinha e outro de espinafre. E o pior de tudo: o de espinafre tava muito bom!

Finalizado o tour no mercado, hora de ir as compras. Fui comprar uma camiseta para o Thiago (cunhado) e os chocolates Mozart pra Carol! A Catarina me levou numa espécie de shopping, onde tinha uma loja grande de esportes. Lá, tinha camisetas de 2 times daqui de Viena. Eu peguei a verde e branca, mas fui olhar a outra: uma roxa. Quando estava olhando, brotou um austríaco do nada que ficava falando pra mim: "num compra camiseta desses caras não! Eles são muito ruins! É tipo a Ponte Preta daqui..." (tradução livre de minha pessoa). Mas falava isso como quem avisa alguém que esse alguém está prestes a fazer a maior cagada do mundo! E ficou conferindo ainda, até ver que eu comprei a camiseta do time dele, a verde e branca! Fui tentar pegar o formulário pro tax free mas o valor era insuficiente. Teria que completar com algo. Eis então que acho uma pechincha: camiseta da SELEÇÃO BRASILEIRA, original, em PROMOÇÃO! :) Agora tenho uma camisa do Brasa com 5 estrelinhas!

Compras realizadas, encontramos um casal de amigos da Catarina. Gente boníssimas! Ele é engenheiro Elétrico e ela é Bióloga. Vieram ambos para estudarem aqui, acabaram se conhecendo por essas bandas e estão juntos. Casal super simpático e gente boa mesmo! Montamos uma mini caravana brasileira e fomos rumo ao Museum Quartier: um local que tem um aglomerado de museus muito próximos um do outro. Lá ia ter um "festival de música" de grátis.

O local era em frente a baladinha - museu de ontem. Tinha um palco montado e de tempos em tempos subia uma atração musical. Todas de músicas mais clássicas. Mas estava bem gostoso! Sentamos num café bem "de frente" pro palco, onde mandei pra dentro mais um carneiro! Dessa vez com um macarrão com uns legumes e uma geleinha de pimenta que tava coisa linda de Deus! Confesso que apesar do frio e de ser só música clássica, foi bem gostoso mesmo o programa.

Batendo os queixos, fomos para um café de Viena que existe desde mil OITOCENTOS e SESSENTA e qualquer coisa. Véio, é muito tempo! Muito! Lá dentro, a média de idade era uns 70 anos. O local tem todo um ar clássico e chique. Velhinhos todos arrumados, de terno e gravata. As velhinhas com aqueles vestidos, colar e brinco de pérolas, sabe? Chega a ser meio surreal. E eu, de bermuda e agasalho do Palmeiras que o Fipo emprestou! Mas no cardápio, um "apstrudel" bem do gostoso e um chocolante quente que estava FAN-TÁS-TI-CO!

Barriga cheia, hora de voltar pra casa e descansar. Amanhã o dia promete pedaladas e visita a um parque que todos falam que é muito bonito! Hora de aproveitar o fim dessa boa vida que ando levando... :)


sábado, 3 de outubro de 2009

02.10 - O stress em Viena

Corpo descansado, hora de sair conhecer a cidade! Acordei, arrumei as coisas e bora pra rua conhecer as coisas de Viena. De cara, um palácio de verão de um dos príncipes daqui! Coisa absurda de grande, com jardins fantásticos e várias estátuas por todos os lados.

Rodei passando por construções famosas, muitas praças e ouro! É incrível como tem ouro nessa cidade! Em vários lugares você passa e vê num prédio ou no alto de uma estátua um monte de coisas douradas: ouro! Em uma das praças, tem uma estátua do Strauss inteira de ouro! Inteira e fica ali, disponível pra quem quiser tocar ou, então, pegar e levar pra casa. Mas óbvio que isso não acontece! :)

Fui também no museu do Freud. Nada de especial que justifique o ingresso. E fui para a "Casa da Música". Cara, que lugar animal! Muito foda! É um museu geral de música super mega interativo! Ele ensina desde coisas das percepções sonoras, de como escutamos, como funciona o nosso sistema auditivo até ter coisas específicas de música mesmo, como sala do Mozart, sala do Bethoven, da sinfônica de Viena e por aí vai! E, em todas as salas, tem locais para você interagir, é muito animal mesmo!

Viena é uma cidade imponente! Limpíssima, limpíssima, transporte púbico super organizado, um povo (pelo menos o que tive contato) simpático (mas não como na Holanda) super atencioso pra lhe ajudar. Segundo a Catarina, foi eleita a cidade com a melhor qualidade de vida da Europa. Dá pra ter uma idéia de como é, a partir dessa informação, né? A cidade transborda cultura: óperas, teatros e muitas atividades culturais! Muitas!

Mas, também, foi aonde vi as pessoas civilizadas deixarem isso um pouco de lado e manifestarem seu lado mais selvagem. Primeiro, estava atravessando uma rua, um austríaco na frente, e um carro virou a rua, sem parar para nós atravessarmos. O que pra mim era normal, tô acostumado, fez o austríaco ficar doido e esmurrar a janela do carro. O carro ameaçou a dar ré, o austríaco voltou lá e começou a bater boca "Num tá vendo que eu tô atravessando, seu porra?! Pisei na rua tem que parar, cacete!" (tradução livre da minha pessoa).

Depois disso, muuuuitas buzinas no trânsito! Muitas! Coisa que não tinha visto até então... A noite, um cara, provavelemente bem chapado, quebrando garrafa no meio da rua e chutando latas de lixo! E gritando! Assim como um outro cara na rua que começou a gritar... A Catarina diz que aqui é tipo um show de Truman (porque tudo funciona) e que, as vezes, a direção coloca umas coisas assim pra dar mais realidade no negócio!

A noite, foi dia de ser estreiado na cozinha indiana. Comi um carneiro, pra variar, com um molho de espinafre e com um temperinho que tava tetê do universo! Muito muito bom mesmo! Falei pra Catarina que é o lugar que eu mais tô comendo, disparado! Depois do jantar, fomos a um barzinho que é dentro dum museu! O museu que vira balada... em cima, uma boitezinha e lá embaixo um palco para o povo se manifestar. Quem tava tocando era um quarteto de teclado, sax, batera e contra-baixo! Beeeeem animal! Bem mesmo!

Coisas que descobri nessa balada: tem BEM mais homem que mulher. Quem chega aqui, são as mulheres. Austríaco vai pra balada e põe tapa-ouvido, manja? Na entrada da balada tem um potinho cheio de tapa-ouvido, por causa do barulho. E descobri, também, que entender inglês, na balada, com a outra pessoa com bibida na cabeça não é das tarefas mais fáceis! Mas foi bem legal! Tipo de balada que num tem em Campinas e seria bem massa ter! O Hernião ia curtir a casa da música e a baladinha de hoje!

Apesar do tempinho sem vergonha de hoje, com alguma chuviscadinha, amanhã promete sol e muuuito calor: 23 graus! :)


01.10 - E amigo há quanto tempo...

Um ano ou mais... (e toma um real, pro Samuca). Na verdade bem mais que um ano. Pelo menos uns 3 ou 4 sem nos vermos. Catarina é tipo de pessoa rara. Meu pai era fã incondicional e absoluto dela. Sua altura, representa bem o tamanho do seu coração, o tamanho do seu carinho e o tamanho do seu talento. A gente se conheceu, de verdade, em 95, na sétima série. Antes, um sabia quem era o outro. E só. Mas da sétima pra frente, ficamos bem mais próximos e criamos uma amizade bem forte.

Acabou-se a vida de Dom Barreto e cada um tomou seu rumo. Eu, fui pro Cotuca, ela pro Integral. Obviamente, ela passou no primeiro vestibular dela em Economia lá na Unicamp e eu penei meus 3 anos pra conseguir entrar em Biologia. Apesar dos rumos terem se separado um pouco, o carinho imenso continuou. Sempre! Fosse em trombadas no clube, fosse em trombadas na própria Unicamp, onde fosse. Sempre vinha um "queriiiiiiiiiido!" com um abraço bem do gostoso e aquele sorrisão na cara.

Eis que ela resolveu ficar gente importante e hoje trabalha na embaixada do Brasil em Viena. Ela trabalha na missão brasileira relacionada a questões de energia atômica. E foi por isso, e unicamente por isso, que eu vim parar aqui nessa cidade. Talvez se fosse escolher, sem conhecer a cidade obviamente, não viria para cá. Mas dane-se onde era: tinha a Catarina.

E quando cheguei, apesar do tempo sem nos vermos e nos falarmos pouco durante esse tempo, a sensação foi a mesma. A sensação de re-encontrar alguém querido que há muito não se vê. O sorriso, o abraço, o carinho, as palavras! Tudo como sempre foi...

Falando um pouco de Viena, durante o dia fiquei por aqui. Estava bem acabado, pés doloridos, pernas meio que querendo assar, então achei melhor me recompor. Fiquei em casa, descansei, fiz coisas que precisava fazer. Só saí dar uma volta pra almoçar e voltei de novo.

Catarina chegou do trabalho, saímos dar uma voltinha na cidade e jantar. Fomos a um barzinho que ela disse gostar muito, é meio que um lounge e tem umas comidas. Muitas mulheres no bar! Muitas! Coisa que ela disse não ser normal. E no menu, primeiro uns patezinhos com um pão bem gostoso. E depois: umas "almôndegas" de carneiro numa panelinha com uns pimentões e um molho de tomate. Hermanoteu, véi! HERMANOTEU, VÉI! O negócio estava simplesmente fanástico! O pimentão tava tão gostoso, mas tão gostoso que eu me entupi de comer pimentão puro! E combinava MUITO bem com a carne do carneiro! Vixe!

Dia de pôr o corpo em dia, a conversa em dia, a saudade em dia e hora de ir descansar pro dia de amanhã...


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

30.09 - Tchau pra Alemanha...

O dia de ontem foi quebradeira! No meu pé esquerdo começa a brotar um calo e no direito bolhas. Sendo assim, hora de dar uma maneirada. Aproveitei a manhã para acertar umas coisas e me fui em direção ao Zoológico de Munique. Na ida, uma avenida sem semáforo, dava pros carros irem a uns 70, 80 por hora. Eu parei pra atravessar. Nem precisei pisar na rua, um carro que vinha no pau, freio, parou e esperou eu atravessar. É muito estranho isso!

Mas, enfim, fui ao Zoológico e achei bem legal! Tem uns bichos europeus, que não estamos acostumados ao ver ao vivo. E o espaço dos bichos é muito legal. É bem amplo, com outros bichos, bem legal mesmo. E, no meio do zoológico, existem umas áreas específicas para você entrar e ver determinado tipo de bicho.

Por exemplo, tem uma Vila Drácula que você entra para ver morcegos numa espécie de caverna. Tem uma parte de Floresta Tropical que você entra e o clima muda  por completo: fica bem mais úmido, com um calor mais forte. Muito legal mesmo. Mas a melhor parte, disparada, é a parte dos macacos! MUITO animal mesmo! E pelo parque todo existem milhares de painéis educativos. Muito interessante mesmo.

De lá, tomei rumo para o Englischer Garten, um parque monstruoso que tem lá. E é grande mesmo. Apesar de ser meio da tarde, o parque estava bem cheio, uma bandinha tocando músicas lá numa torre chinesa e o povo, pra variar, mandando cerveja pra dentro da guela! Almocei por lá mesmo um salsichão tetê... De volta em casa, saímos eu, Java, Laura, Pipoca e Chico para dar uma volta e visitar uns últimos lugares.

Aqui é enorme a interação entre homem e cachorro. Os cachorros podem andar no transporte público, entrarem em restaurantes e é muito comum ver alguém com um cachorro na coleira ou mesmo solto. E é engraçado como os cachorros, que nasceram acostumados com isso, se comportam bem. Tipo aquelas cenas de propaganda com o dono jogando um brinquedo e o cachorro dando mó pique naquele gramado verdão, sabe?

Outra coisa que me chamou a atenção, é como europeu tem esse lance de aproveitar o parque. Eles vão pro parque mesmo, ficam deitado no gramado lendo, conversando, tomando cerveja, jogando alguma coisa. No Brasil, quem faz isso é farofeiro! O Java diz que é porque o inverno dos caras é tão zoado, que quando eles têm condições de sair e sobreviver fora de casa, eles aproveitam mesmo.

De volta pra casa, hora de arrumar as malas e partir pra Viena. A Alemanha é um lugar bem doido. Os caras entraram em tudo quanto é guerra, se arrombaram mas continuam sendo a terceira potência do mundo, com uma puta estrutura! Munique, particularmente, tem um charme todo especial. Vale muito a pena conhecer essas terras. Aí você descobre que o esteriótipo de alemão num é loirão de olho claro. Seja pra homem ou pra mulher... Ficar na casa do Java e da Laura foi um tchan a mais da viagem. Fui super bem tratado, bem recebido, bem tudo... pelos dois e pelos cachorros! Dei risada, conversei e lembrei de fatos. Muito gostoso mesmo.

E assim, a Alemanha fica pra trás. Lá se foi, praticamente, 1/3 da viagem!


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

29.09 - O dia dos extremos!

Aqui em Munique tinha um campo de concentração dos grandes. Dos grandes mesmo. E que serviu de modelo para tantos outros na Alemanha. Após o fim da guerra, resolveram fazer dali um museu / memorial para mostrar para o mundo, o tamanho da cagada que foi aquilo. E lá fui eu conhecer...

É uma experiência, no mínimo, estranha. Numa comparação imbecíl, até comentei isso com o Java, foi como ver lâmina de meiose \ mitose pela primeira vez. Óbvio que com sensações completamente diferentes. Você sempre vê em livros, registros, fotos mas parece que aquilo não existe mesmo. E quando você chega ali, você vê que aquela porra toda aconteceu mesmo.

É um clima pesadíssimo! Pesadíssimo! É um lugar que não tem cor, não tem vida. É estranho. Vi pessoas chorando, o que é perfeitamente compreensível. Do campo todo, ainda tem um prédio central, onde eles fizeram um museu, duas barracas, onde os prisioneiros dormiam, e a parte do crematório. Disparado, a pior parte de todas. Fora isso, inúmeros memoriais, monumentos e igrejas, todos feitos recentemente.

Achei legal o museu. É bem interessante como eles mostram como foi que tudo isso aconteceu. Que não foi tipo da noite pro dia que o Hitler (aliás, todas as fotos dele aparecem com uma mancha branca no rosto, não sei se proposital ou se alguém fez isso) acordou e falou "Vou acabar com esse povo.". E esse povo não era só judeus. É interessante ver a evolução dos fatos que culminou nesse caos todo.

Mas, ir pra parte do crematório é algo trash! Você começa por um lugar onde eles desintoxicavam roupas e pertences das pessoas, passa pela sala de espera do "banho" e passa dentro da câmara de gás que eles usavam pra matar os prisioneiros (eles diziam que iam levá-los para tomar banho). Cara, é muito ruim a sensação que dá. Não dá pra definir ou tentar explicar. Não dá vontade de tirar foto, nada... dá vontade de você sair. E só! E ir embora. Algo que vale a pena de se conhecer e se ver pra ter noção do quão estúpido o ser humano pode ser. Punk o negócio.

Do extremo da energia negativa, fui para o extremo da energia positiva: vamos para a Octoberfest. O Java me explicou assim "Desce na estação tal e segue o fluxo!". E não tem como errar. É um fluxo constante de pessoas indo para lá.

Ao chegar na festa, fiquei bem surpreso! Eu imaginava tipo um espação, com umas tendas e só cerveja. E era isso. Mas não! É tipo uma festa do figo, festa da uva! Só que ao invés de fruta, o tchan é a cerveja! E é algo super traidicional deles, tipo a nossa festa junina. O povo se veste a caráter, tem barraquinhas de lembranças, comidas de todos os tipos, parque de diversões. E lá no fundo, um puta prédio fantástico com uma estátua enorme!

Cheguei mandando pra dentro um salsichão! A-NI-MAL! Hora de seguir os conselhos de Alessandrin e procurar a tenda da HB. Entrei na HB e lá encontrei um monte de... Alessandrin! O lugar é imenso! O povo fica em pé em várias mesas (em cima delas), com aquelas canecas gigantescas de 1L (num guenta, bebe leite) e conversando e falando e ouvindo o som da bandinha. Que ao término de cada música, o cantor pega uma caneca e começa a cantar uma música tipo "Eu bebo sim, estou vivendo" e o povo começa a brindar! Só que os brindes são umas putas porradas numa caneca na outra! Vixe!

Mas, enfim, chegando lá, descobri que o que você precisa, pra sobreviver sozinho na Octoberfest é de uma camiseta do Brasil. De cara, já encontrei os Alessandros: "Caraca, meirmão! É brasileiro essa porra! Onde tu tava que tu demorou! Coé!". Um bando de carioca da Marinha que tá por aqui. Já me enturmaram, já puxaram papo e a coisa começou a fluir. Com a camisa do Brasa, fui parado por um monte de gente! Franceses, italianos, australianos, argentinos (tinha um Jorge) mais brasileiros e assim vai! Fiz até amizade com as tiazinhas da cozinha! Eu olhei uma mulher dentro da cozinha e pensei "É brasileira!". Pelo sorriso dela. Deu 2 minutos "Ô, brasileiro!". E era comigo!

E o povo bebe. Mas bebe. Mas bebe... é de impressionar! E num tem comida? Tem sim senhor! Uma costelinha de porco FAN-TÁS-TI-CA numa porção gigantesca que eu não dei conta de comer. Comi metade e a outra metade dividi com uns gringos que eu não faço a mínima idéia de onde eram! E cai no golpe da cerveja de 1L. Você vê e fala "Ah, dá pra tomar 2!". Só que 2 são 2 LITROS de breja. É de bagunçar a vida...

Apesar do clima de bebedeira, nego derrubando cerveja em você, a energia que rola ali é bem legal! Gente do mundo inteiro se conhecendo, se falando... Achei muito legal mesmo! O ponto alto da festa foi quando a bandinha começou a tocar Boemia Rapsody (não sei se é assim que escreve) do Queen! A tenda veio abaixo e a negada pegando fogo cantando! Fim de festa, tipo um pretzel com queijo em cima pra completar e, pra ocupar a parte doce do estômago, uma macadâmia cheia das firulas lá. Beeeem da hora!

De volta pra casa, fui conhecer o lab que o Java tá trabalhando. Os caras tem uma estrutura muito legal lá! E o Java tá tocando o terror aqui nos caras! Produzindo que nem um doido, publicando sem parar. E o da hora é que ele trampa no prédio, ou melhor, na sala do cara que "descobriu" a esquizofrenia e um dos alunos desse cara, que também trabalhava nesse prédio, era um tal de Alzeihmer! Doido, né?!

Com o pé moído e as costas explodindo de dor, cama é o que me resta!


28.09 - A cidade cenográfica!

Sai de Berlim rumo a Munique. Na estação, descobri uma das coisas mais fantásticas: kitkat! Não sei se ainda tem no Brasil, mas é um bis muito mais animal! Uma pechincha, disponível ali, em qualquer máquina, óbvio que foi uns 3 pra dentro! Peguei o primeiro trem e desci em Fulda, uma outra cidade alemã. Uma hora de espera e vamos nós para Munique. Num trem super moderno, cheio das firulas. O que foi estranho foi que a moça que sempre dava a mensagem falando da próxima estação falava milhares de coisas em alemão, mas na hora do inglês era só um "Next Station".

Cheguei em Munique e lá estava o Java me esperando! Viemos direto pra casa dele e, no meio do caminho, encontramos a Laura com o Chico e a Pipoca passeando pela rua. Festa da cachorrada e foi bem gostoso rever os 2 (Java e Laura). O apartamento deles é bem legal. Bem legal mesmo. Num lugar super gostoso, super arborizado e do ladinho do Max Planck que o Java tá trabalhando.

Feito o oba-oba inicial, tomei rumo para a cidade, seguindo os conselhos deles. Cara, Munique é tipo uma cidade cenográfica. Certeza que o dono daqui deve ser tipo um Boninho! Meu, TUDO funciona, tudo é perfeitinho, tudo é limpo, tudo é no lugar. As pessoas são MUITO simpáticas (o que é MUITO diferente de Berlim) e várias pessoas na rua andam com roupas típicas da Bavária (o estado alemão no qual se encontra Munique). Muitas pessoas idosas pela rua, todas felizes.

Passei por vários prédios bonitos, igrejas, "um palco" onde foi "declarada" a guerra pela Alemanha, jardins bonitos, monumentos e, por toda a cidade central ali, você vê barzinhos com mesas pra fora e o povo... tomando cerveja! Não é tão "forte", que nem Berlim, onde o povo anda com garrafas pra cima e pra baixo, mas parece que o povo bebe bem aqui também, viu!

Na volta, me perdi para sair da estação e voltar para casa, sai pelo lado errado, mas foi bom pra conhecer um parque que tem aqui perto. Tipo uma lagoa do Taquaral. Era fim de tarde, pessoas correndo, pessoas jogando vôlei, pessoas jogando futebol (e coçou o pé pra ir jogar porque os caras eram tudo ruim de bola) e fazendo ginástica! Muitas pessoas num espação com uma tia dando aula e o povo lá, fazendo os exercícios.

A noite, saímos todos, inclusive os cachorros, para o Java e a Laura me mostrarem outras coisas da cidade. Virei fã dessa cidade. Das que visitei, é A cidade pra se morar! Disparada! Muito legal mesmo!

Como não dormi bem na viagem, voltamos e foi só apagar a luz pra esta criança pegar no sono... e roncar! Pra deixar a Laura feliz... :)


27.09 - O dia de falar potuguês...

E num entender muita coisa de inglês também! O Julian e a Chen quando se empolgam falam bem rápido e fica difícil de entender. Pra não ficar pedindo pra repetir toda hora, você concorda com a cabeça e vai reagindo de acordo com a expressão deles. Dá certo! Mas enfim, fui atrás de um free tour que tem por aqui. E, na verdade, existem em vários lugares. Uma empresa (?!) chamada New Europe organiza um tour free por várias cidades da Europa e, ao término do passeio, você dá uma gorjeta para o guia.

O guia do meu grupo era um irlandês com um sotaque bem pesado e que falava maluco paranóico sem parar datas e nomes e datas e nomes! Deu pra entender o que ele falava? Entender, entender, na linha da compreensão, uns 50% e olha lá! Mas, para compensar, encontrei com outros 3 brasileiros: um gaúcho, que atualmente mora em Londres, um mineiro, que falou "sô" no meio de uma conversa em inglês e um carioca, oficial da marinha que viaja o mundo com os barcos do Brasa, basicamente. Dada a deixa, hora de falar português bastante. O problema disso é que meu botão SAP ficou bem zoado e acho que interferiu na hora de entender o que o guia dizia.

O passeio sai do portão de ontem, que aliás tem fotos pós guerra que mostram ele bem destruído, e demora em torno de 3,5 a 4 horas. Mais uma vez, pra quem curte história, é o canal! Muita informação! Muita mesmo! Passamos por vários pontos interessantes:

  • Um monumento em memória aos judeus, e só a eles, mortos durante a segunda guerra;
  • Um bairro construído em cima de uma "base" do Hitler;
  • O bom e velho muro de Berlim (aquela porra existiu mesmo!!!!!);
  • Prédios históricos de guerra ou da história mesmo de Berlim;
  • Uma praça bem animal que tem uma catedral francesa de um lado e, do outro, uma alemã;
  • A torre de TV gigante que tem por aqui;
  • A catedral protestante mais gigante e mais animal, por fora, que eu já vi! Doido!

Dia cansativo porque pra ver isso tudo tive que andar pra cacete! Mesmo! Na volta, comi o tal do kebap: é o churrasco grego da "zoropa". Mas bem gostoso... um gostinho de subway no fundo. E apimentado que é uma beleza! E, na casa do Julian e da Chen, dia de jantar com amigos (uma menina da Lituânia, uma outra chinesa e um outro alemão) e lazanha. É engraçado como eles usam alho e cebola mas as coisas não tem muito gosto não.

Agora, nesse exato momento, tô numa estação de trem, esperando meu trem para Munique. E deixei de lado meu jeito brasileiro para escrever esse post em plena estação. Digo isso pois não tem absolutamente ninguém aqui, assim como em Amsterdam, e o cagaço de alguém vir e te roubar é grande. Mas todos dizem que isso não acontece aqui. Confesso que é bem estranho se acostumar com a idéia.

Berlim é animal! Berlim é fantástica! Berlim é imponente! Berlim é barata! Vale muito a pena vir pra cá e ficar uns 3 dias. Existem vários museus que eu só passei pela frente mas que parecem ser bem interessantes. É uma cidade super histórica e super moderna ao mesmo tempo. O próximo destino: Munique, Octoberfest, Java e Laura!


26.09 - A cidade cinza...

Se você viesse me perguntar, por volta das 15:00, o que eu tinha achado de Berlim, sem dúvida nenhuma, eu ia lhe responder: uma merda, me tira daqui! Cheguei com o tempo nublado e, sendo assim, a cidade parece, realmente, cinza. Como haviam me dito. E, pra começar, as pessoas (depois de um tempo percebi que as mais velhas) não estão muito dispostas a lhe ajudar. A maioria não falava inglês. E, diferentemente da Holanda, quando eles falam "a litou" quando você pergunta se eles falam inglês, é um pouco mesmo! A cidade me pareceu suja, com um povo estranho... Pra ajudar tudo, não conseguia falar com o cara do couch surfing! Conclusão: fui até uma Lan House para procurar um Hostel.


Achei um que fui com a cara dele, mas com dor no coração de ter que gastar essa grana imprevista. Antes de mais nada, pra relaxar, um pãozinho com salsichão branco e mostarda! Tetê! Enfim, achado o Hostel, começou a briga de descobrir como ir para o lugar. E eu querendo mandar tudo à merda.

Eis que recebo uma mensagem no celular! Era o Julian, cara do couch surfing, pedindo milhares de desculpas que não tinha visto a mensagem e tudo mais. Ainda que no caminho pra ir ao encontro dele, peguei o trem em sentido errado (porque um arrombado me ensinou assim) mas, para a minha sorte, ouvi palavras conhecidas e tinha um casal de brasileiros que, provavelmente, vivia aqui, acabou me ajudando.

Até aí, tudo uma bosta! Até aí... Eis que chega o Julian! Moleque novo, figuraça, meio hiperativo, daqueles que falam coisas, ficam empolgados e fazem gestos, sabe? E é o tipo de cara que assiste o treino da F-1 na TV e, ao mesmo tempo, acompanha os dados oficiais na internet. Ao chegar no apartamento, conheci sua namorada, uma chinesa provavelmente decendente de Mao Tse Tung. Pareceu ser meio jogo-duro, mas não deixou de ser simpática e tudo mais.

Terminado o treino da fórmula 1, o Julian saiu comigo para fazer um breve passeio pela cidade. De trem, busão, metrô. E isso terminou por volta das 2 da manhã. E, se nessa hora, você me fizer a mesma pergunta do começo do post, sem dúvida nenhuma, eu vou responder: "Caralho! Berlim é ANIMAL! MUITO FANTÁSTICA!". Talvez uma das mudanças de opinião mais rápidas da minha vida.

É uma cidade grande. E, sendo uma cidade grande, você vê milhares de tipos de pessoas. Tem gente que entra com o cachorro, com a bike dentro do trêm / metrô. E todo mundo bebe! E bebe mesmo! É muito normal você ver pessoas com garrafa de breja na mão. E pelo que percebi, é no mínimo meio litro. Seja homem, mulher, novo ou velho, todo mundo bebe. O Julian disse que bebe todo dia e isso é muito normal.

O transporte público é fantástico! Muito grande e bem complexo, o que me fez ficar perdido algumas horas. Tem estações, por exemplo, com 3, 4 andares que você consegue pegar trem internacional, trem interno, metrô, ônibus e, além de tudo, tem um shopping! Doido! Como em Amsterdam, você tem que comprar o ticket mas ninguém lhe cobra isso. Ou seja, se você não comprar, e não for parado pelo fiscal que fica rodando nos lugares, você anda pra cima e pra baixo. Nada de catraca. E, em sendo uma cidade maior, você vê gente vendendo ticket válido bem mais barato (que deve ter achado no lixo ou no chão, provavelmente) e sente um pouco uma "malandragem" no ar. Os caras construíram uma estação de metrô aqui que parece coisa do Campinas Decor! No sério! É muito fora da realidade. Cheira a casa nova o lugar!

Mas não é só por isso que Berlim é animal. Existem prédios gigantescos e super modernos. A noite, eles ficam uma coisa surreal. Só lembrando: foi uma cidade que passou por guerra. E ao mesmo tempo que é uma cidade nova, super moderna, tem MUITA coisa antiga. E muito bem conservada e muito imponente, fantástica. Um dos "prédios" que vi é uma espécie de um "portal" com uns cavalos em cima e, meu, foi a coisa mais fantástica que eu já vi na minha vida. Digna de arrepiar o último pêlo do rabicó! E isso é muito doido! De um lado da rua, um prédio super novo, de "5 mil andares" e do outro, um prédio gigantesco (tipo o parlamento deles, que não dá pra explicar o tamanho do negócio) super conservado, que impõe respeito! Fantástico!
O dia foi tenso e cansativo. Um dia e meio para Berlim é muito pouco! Mas vai ser assim. Amanhã vai ser dia de fazer passeio de turista e ver os lugares com mais calma e comer kebap. E é isso! Berlim vale MUITO a pena!

Ah, uma coisa que eu acho que ilustra bem o que é essa cidade: ontem a noite, fui a um bar, numa avenida super movimentada, cheia de barzinhos e, de repente, você entra num beco e o beco se transforma num prédio de uns 4, 5 andares, todo pixado por dentro, cheio de cores e, em cada andar, rola alguma coisa, sendo que no último é um bar com uma varanda pra você ver um filme projetado na parede do prédio da frente. E tem, embaixo, uma região de céu aberto com uns 2 barzinhos quiosque onde fica uma negada. Nesse lugar você vê gente bêbada, drogada, sã, bonita, feia, "normal", punk... LOCO como Berlim!
 

25.09 - Um post de gente gorda!

Comida, comida, comida! A noite de ontem começou com a mudança. Fui para a casa da Corline. Uma menina muito da gente boa! Muito mesmo! Nunca vi uma pessoa tão feliz ao ganhar 2 pipas! Sendo que uma delas era do curíntia! Ficamos aqui na casa dela um pouco e fomos ao supermercado. No caminho ela foi me mostrando várias coisas da região que ela mora, mostrou um pedaço bem chinês aqui perto e cagou de rir (no sério) quando eu fui pagar um papel higiênico que custava 1 e pouco com uma nota de 100. O ato foi proposital para eu trocar o dinheiro...

Enfim, depois disso tudo, fomos comer. Entramos no lugar, um restaurante pequenininho, assim como todos os estabelecimentos aqui, e, HERMANOTEU, VÉI! HERMANOTEU, VÉI: o lugar cheirava a puro fundeau de queijo! Animal! Fiquei vendo ela conversar com a dona do lugar, pra conseguir lugar, e escorria baba da minha boca! Cacete! Acabei comendo um bifão com um molho que parecia ter creme de leite e uma pimentinha beeeem da hora, e um outro prato que eles trazem uma peça de carne só corada por fora, com um olho a base de manteiga e salsa. Isso vem numa bandeijinha de alumínio e com um fogareiro embaixo. Você deixa a carne fritando e curtindo no molhinho e, aí, põe pra dentro! FAN-TÁS-TI-CO!

De volta pra casa: hora da balada! O tal do pic-nic é um evento que abrange várias coisas ligadas a design, pelo que entendi. E ontem teve a balada oficial, organizada pela MTV com o show de uma menina negra americana bem da maluca! É tipo uma mistura de Rodrigo Amarante com Arnaldo Antunes. Ela fica fazendo várias performances no palco. E depois desse show fomos pra uma balada mesmo, no mesmo lugar, onde ficava tocando umas músicas e passando uns vídeos com umas fotos bem bizarra. Voltamos cedo, aliás, a noite aqui em Amsterdam acaba cedo. Segundo a Corline, são poucos os lugares que tem autorização pra ficar aberto além da 1 da manhã. Na volta, fomos conversando sobre várias coisas. E pra explicar pra ela porque no Brasil, álcool é legalizado e maconha não...

O dia de hoje começou nublaaado, com uma puta nhaca. Acabei indo numa igreja aqui pertinho (St. Nicholas) e depois dei uma passada no red light district. Se o Itatinga ou a Augusta alguma vez te impressionou na vida, é porque você nunca viu esse lugar! Bicho, o lugar transborda, respira e sobreviva a base de sexo! É sex-shop pra tudo quanto é lado, casa de show e, claro, as famosas janelinhas onde as mulheres ficam se exibindo pra convencer os caras a entrarem lá. E é marketing agressivo! Você passa na frente, elas ficam mostrando a língua, chamando você, num fica só ali paradinha não! Atividade!

Enrolado o tempo, fui rumo a casa da Xanti que num chama Xanti. Uma mulher que o Jerk conheceu sei lá como e que conhece o Garça também. Antes de ir pra casa dela, uma parada num buteco pra comer um croquete que é típico daqui, num sabia. Bom! Bem pesado na manteiga, achei, mas bem gostoso. Com uma casquinha super crocante por fora e bem sequinho, manja? Gostosinho...

Ao chegar na casa da Xanti, fui recebido pelo Michiel, seu namorado de 27 anos. Figurão cabeludo com visual de clube de motos, sabe? E a Xanti pequenininha, cheia das trancinhas. Um apartamento super arrumado, conheci os 2 filhos dela e os 2 cachorros. Aliás, quando conheci o filho mais novo da Xanti, o Xanti, ele estava com uns amiguinhos jogando bola. Molecada curiosa! Queriam saber de onde era e quando eu falei, começaram a perguntar de vários jogadores de futebol! Depois de muito conversar, fomos para Voledam, uma vila a 20 km de Amsterdam, bem típica.

Lá, tiramos fotos com roupas típicas, o Michiel felizão porque devia ser a 20a vez nesse ano que ele ia lá. Eu vou postar as fotos depois. Se você olhar, vai ver como eu sou um perfeito exemplar de holandês! A roupa é só um mero detalhe... Em Voledam, tem um monte de barco, é uma região de pescadores. A Xanti tirou milhares de fotos minha, postarei todas. Tem, inclusive, um lugar com um memorial: no reveillon de 2000 pra 2001, uma balada que tinha lá, tava decorada com um monte de coisa e começou a pegar fogo nos enfeites. Resumo da obra: várias pessoas morrem queimadas, outras com sequelas pra sempre... trash!

Já que tô aqui, aproveitei para experimentar um prato, no mínimo, estranho. Imagina um pão da Bambini menor, aberto e, no meio, dois filés de peixe cru. Cruzaço mesmo. Com umas cebolinhas em cima e um pedaço de pepino. E a coragem de pôr aquilo na boca... mas o fiz! E até que é gostoso, viu! Faz lembrar um atum, não sei se é o mesmo peixe. Mas a aparência é estranha... Conversa vai, conversa vem, ou pelo menos tentativas de, fomos jantar próximo a casa deles. Comi uma paqueca gigante com páprica, queijo, cogumelos (sem ser dos alucionógenos, eu acho) e cebola.

Tive o prazer de conhecer um casal fantástico! A Xanti (esse é o nome do filho dela, na verdade) é toda educada, atenciosa e receptiva. Super solidária, ficou tirando milhares de fotos, mostrando e contando sobre as coisas daqui. O Michiel, com o jeitão de bad boy, é super atencioso também e acompanha a onda, apesar de não aguentar mais ir pra Voledam.

A noite, passei de novo no red district pra ver o movimento. Meu, aquilo feeeeerve! E você vê todo tipo de gente. Homem, mulher, casais. E vê, também, um monte de gente chapadaça que mal consegue ficar em pé. Chapado do que?! Vai saber... tem tanta possibilidade!

De volta pra casa, hora de arrumar as malas e pôr o relógio pra despertar. O trem pra Berlim parte no sábado, as sete da matina!! Vixe! Mas vamos que vamos.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

24.09 - A bibida atrapalha?

Se bebida e direção não combina, bebida e bicicleta que você não tá acostumado, menos ainda! Fui em um barzinho (café, na verdade) indicado pelo Mick. Poucas pessoas e todas enturmadas, tomei umas brejas e vim embora. Na volta, descobri que você não pode enfiar o pneu da bicicleta no trilho do bonde. A chance de você cair é enorme! Quase atropelei um cara a pé e, enfim, o primeiro tombo! A borda da ciclovia é preta e a sargeta é preta. A noite, míope e com bibida na cabeça, o chão foi meu destino. Num diferenciei e achei que era tudo nivelado. Uma mocinha tava entrando em casa e, imagino eu (holandês fala que nem alemão) disse "Aí você se fode... tá tudo bem, seu porra?". Falei um "Ok! Sorry!" e fui embora.

Hoje, deu um baquezinho de não ter ninguém conhecido por perto. Me senti meio perdidão de manhã até decidir onde ir e faltou alguém pra falar um "Vamo!". Sai e fui atrás do museu Rijksmuseum. Na ida, um lance muito louco: a ponta que desmonta, abre na verdade, pro barco poder passar. Bem da hora!

Cheguei no museu, uma fila infernal. Resolvi ir na Heineken Experience. Animal! Bem da hora mesmo. Mostra a história da cerveja, como é feita sua produção e tem uns lances todos interativos envolvendo a marca da cerveja. Tem uma espécie de cinema 3D onde você fica "dentro" do processo de fabricação. Então o chão vai chacoalhando, quando fala que ferve começa mó calor na sala, quando fala que molha cai água do teto, essas coisas. No fim, você tem direito a tomar 2 chopps, além do outro que você já tomou na degustação. Ah, e tem uma parte só sobre a liga dos campeões. Você escolhe os gols que quer ver e tal. Fipo, tinham uns franceses vendo gols de adivinha quem...

Voltei pro outro museu e não curti muito não. É aquele museu cheio de quadros por todos os lados que você olha e fala "Locura, né?". Tem uns 3 quadros que achei bem loco (são bem grandes) e uns materiais legais, tipo arma, armadura, louças e afins. Acho que se tivesse mais objeto e menos quadro eu gostaria mais. Aliás, minha mãe ia ficar doida lá porque tinha uma porrada daquelas louças com aqueles deseinhos azuis que só mãe acha bonito! Mas o prédio por dentro era bem legal... Não foi de todo ruim mas eu achei caro pela minha satisfação! :)

Saído do museu, resolvi ir atrás de um tour de bicicleta que tinha no mapa. Antes, uma parada no centro pra achar um adaptador pros carregadores. Aqui, na Europa, não existe tomada de 2 risquinhos, sabe? Só o plug dos dois redondinhos. 5 euros a brincadeira! :) Pedalei, pedalei, pedalei até achar o cata-vento gigante. Só que o bairro cheirava a maconha, tinha umas pessoas com cara mais mal encaradas, pouco movimento, num fiquei muito por lá não!

Na volta, vi que estava do lado do Nemo: um museu de ciência e tecnologia. Pensei comigo "Loco!". Só que quando entrei, só tinha criança e uma voz no fundo tipo assim "Bombini a Hopi Hari!", manja? Achei que num valeria a pena e desencanei.

De volta em casa, atualizando as fotos e blog e arrumando a mala para mudar de apartamento. Vou para a casa da Corline, uma menina do Couch Surf. A noite, vamos para uma festa de um evento que tá rolando aqui e amanhã vou conhecer a rua da putaria lá, pelo menos espero, e sair com uma amiga do Jerk (a Xanti) rumo a Volendam!

Meio cansado (essa vida de ciclista judia), com a bunda doendo (um banquinho de gel ia bem) e com saudades de ter alguém por perto! Não sei se na Corline tem acesso fácil a Internet, então, se eu sumir é por isso. Mas vou tentar deixar os textos escritos para só postar depois. Javão, já tô chegando! Nê, imagina um desses aí embaixo em casa... :)


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

23.09 - Agora sim, começou a viagem!

Ontem eu tava moído! Minhas costas no pó pelo peso da mala. Mas nada que uma noite de sono não resolva. Aproveitei pra pôr um pouco do sono em dia e acordei por volta das 10:00. Fui tomar banho, aquela coisa, o Mick me emprestou a bike dele. E aí começou a putaria. Primeiro, apanhei pra destravar uma das travas da bike. Depois, pra andar. Na bike dele, não existe freio de mão, o freio é quando você faz o movimento contrário no pedal, manja? Até eu conseguir andar 5 metros sem cair, foram uns 10 quase tombos e ainda não peguei direito o jeito dessa porra! Teve uma hora hoje, na frente de um café, que eu pensei comigo "Agora fudeu! Caí memo!" mas dei conta de me segurar!

Falando um pouco de bicicleta, sem dúvida nenhuma, é o meio de transporte mais popular de Amsterdam. Desparado! O sistema de transporte aqui pareceu bem legal e organizado com metrôs, trens, "bondes" e ônibus. Nenhum lotado e com bastante lugares. E poucos carros na rua. Mas muitas bicicletas! Muitas! E pessoas de todas as idades usam. Vi senhores e senhoras andando, vi gente de terno e gravata, vi crianças, vi famílias, pessoas carregando pessoas e vi um monte de tipo de bike! Hoje vi uma bem doida que o cara pedalava deitado! Além das bicicletas, scooters existem de monte aqui também! Manja a vespa que existia aí nas antigas? Tem aqui até hoje! Mas hoje em dia ela é automática, moderninha! E em todos os lugares existem lugares pra você guardar sua bicicleta. Como nem tudo é perfeito, você precisa prendê-la com uma trava para não roubarem.

De bike nos pés e depois de um café da manhã com um abacate sem gosto (aliás, o limão também não tem gosto de limão - ontem eu fiz uma pseudo caipirinha com um pseudo limão e um pseudo açúcar. Ficou bom? Bom, bom, na linha do gostoso, não! Mas o povo tomou!) e um pão com um queijo gostoso, sai meio sem rumo. Existe ciclovia pela cidade toda, sinais específicos para bicicletas e os carros, bondes e ônibus respeitam!!!!! Quem manda aqui são as bicicletas. E você dá seta com a mão pro arrombado que vem atrás de você não encher sua bunda!

Tô meio louco, misturando milhares de assuntos, mas enfim. Sem rumo, fui parar no Western Park! Um parque tipo a lagoa do taquaral, onde as pessoas vão caminhas, correr, tem escolas infantis lá e onde tá rolando um tal de Pic Nic. A menina do couch surfing, que vou ficar na casa, disse que tem entradas pra isso pra amanhã. Então descubro o que é e aí conto.

Dei um rolezaço lá, tirei várias fotos e resolvi procurar o centro. Pedalei, pedalei, pedalei até achar... eu tava achando Amsterdam parado demais! E ali sim encontrei: a MUVUCA! Mais carros, pessoas andando por todos os lados e tudo mais. Mais que isso, percebi que o centro de Amsterdam deve ser menor que a Unicamp! Tudo é MUITO perto! MUITO! 15 minutos pra eles, de bike, é "longe"! E o melhor jeito pra se conhecer a cidade é mesmo, de bike e a pé!

No centro, fui na casa da Anne Frank. Uma judia novinha que escreveu um diário relatando os 2 anos em que viveu com sua família e uns outros judeus em 3 cômodos escondidos no escritório do pai. Eles ficaram esse tempo todo sem contato com nada do mundo (uma ou outra pessoa levava comida pra eles) fugindo dos nazistas! Tenso o negócio e uma época foda... Caguetaram eles, os nazistas os pegaram e mataram a menina, aos 16 anos. Encontraram uns diários dela que acabaram virando um livro. Existem frases espalhadas pela casa, deixaram a casa do jeitinho que era, tem vídeos, objetos, muito legal mesmo! Tentei usar o golpe da carteirinha do estudante com o RA da Unicamp (me disseram que alguns lugares aceitam), mas não rolou.

Ali do lado da casa da Anne, existe uma igreja protestante (Western Church) com uma torre muito bonita! Muito animal a igreja por dentro! Muito mesmo! Um órgão doidaço fazendo barulho, a disposição das coisas é bem legal também, uns escudos cravados no chão. Um lance bem diferente e legal...

Conhecidos esses 2 lugares, sai rumo ao centro pra encontrar outras coisas. Por onde você anda, prédios legais que dá vontade de ficar tirando foto de todos. Fui de bike até encontrar a muvuca máxima mas voltei para onde estava. Não achei nenhum lugar bom pra parar a bike. Entenda-se lugar bom, um lugar que tenha um ponto de referência muito fácil! Por exemplo: na porta de entrada da igreja protestante!

De volta ao centro, mais muvuca ainda. Vi um prédio animal que era um prédio e era um shopping. Dentro dele, lojas desconhecidas e todas as vitrines sem preço! Descobri que isso é normal aqui... Rendido, resolvi comprar um mapa para me situar melhor. O cara da loja foi mega simpático e me deu dicas, explicou várias coisas. Mas algo me incomodava: um dos desafios dessa viagem era comer o lanche típico do Mc pelos países que eu passar. E num achava a porra do Mc.

Pelo horário, resolvi ir para um ponto interessante mais perto, dividi meio que a cidade em 3 pedaços, fiz 1 hoje e pretendo fazer os outros dois amanhã e depois. Enfim, andei até chegar numa praça gigante, tipo o largo do rosário. O lugar chama Dam. Cheeeeio de turista de todos os cantos, todo tipo de gente e cheio de... pombas! E ali, é um pseudo caos! Os sinais já num são mais tão respeitados, o povo atravessa no vermelho e foda-se e assim vai...

Fui andando numas vielinhas, até que achei ele: MÉQUÊ! Entrei, pedi um Chicken Wrap e um McKroket. O primeiro, é tipo uma massa de crepe, com um super nuggets dentro e um molho de mostarda bem gostoso. O segundo um hamburguer que é um croquete e um molho. Bem gostosinho o lanche, com um gostinho peculiar, parece coentro, sei lá! Bem gostoso mesmo... fui dar o golpe de escovar os dentes no banheiro do Mc mas pagava!

Rodei mais e ali sim vi a Amsterdam que me falavam! Nego fumando maconha na rua e putaria por vários lados. Eis então que me deparo com o Museu do Sexo! Óbvio que entrei e foi uma das coisas mais da hora que eu já vi! É muito animal! Com o Hérnia e o Thiagunho junto deve ser mais fantástico junto! Logo de cara, tem um casal de bonecos, num lugar escondido que quando você passa pela frente, eles começam a gemer. É massa ver a reação das pessoas. Dentro do museu, tudo o que é possível ligado a sexo. Legal o jeito que eles abordam isso com uma coisa normal e da natureza humana, presente na vida desde sempre! Tirei várias fotos mas que se postar no picasa, me expulsam. Então, depois mostro a quem interessar.

O ponto alto foi quando eu tava num salão mais quieto e foi indo embora. Umas meninas com a máquina apontando para um lugar e eu achando aquilo bem estranho. Enfim, fui me embora... eis que de repente brota um Luretha (tipo uma mina boneco das carvenas, peluda e pelada) fazendo um "Urrrrhhhaaaaaaa". Cacete, levei um puta dum susto que as minas não conseguiam tirar a foto. Elas tavam ali esperando um troxa passar a e se assustar pra tirar a foto... o troxa fui eu mas elas num deram conta tamanha minha reação! E as minas num conseguiam olhar pra minha cara que riam de novo! Foi foda..

Depois disso, mais um rolê ali pelo centrinho, um pedaço bem fétido e vi um mendigo, tipo Gardaço, caçando comida no lixo! Achei que isso num tinha aqui... vi também gente pedindo esmola dentro do Mc e uma POMBA dentro do Mc! Uma pomba, bicho!

Voltei pra casa e cá estou eu, subindo umas fotos e escrevendo essas coisas pra facilitar a vida quando eu voltar... O que vai ser da noite, ainda não sei! Essa é minha última noite na casa do Mick. Amanhã, vou pra casa da Corline e vou na festa do Pic Nic. Acho que é isso por hoje. Bunda quadrada de tanto andar de bike mas tá bem mais da hora fazer isso do que conhecer a cidade por guia turístico!

PS: E o medo de entupir a privada sem água daqui do apartamento?!?! Mas ela deu conta!!!


22.09 - A sensação do lugar estranho...

Saí de Guarulhos, depois de encontrar com a Ju e o Fabrício. Entrei no avião, bem grande por sinal. Um senhor me recebeu na porta do avião, todo sorridente dizendo "Good afternoon!". E haviam vários desses senhores e senhoras lá dentro. Poliglotas. Eu falava em Inglês e depois percebia que a pessoa era brasileira.

Mas, enfim, sentei no meu lugar e um cara do lado, com uma cara de bosta, perguntou em francês pro aeromoço se os bancos da frentes estavam vazios. O cara falou "Não, seu porra! Os arrombados estão chegando!". Lógico que ele não falou isso, mas eu tô usando a minha tradução com base no que eu falaria... :) Pensei comigo "porra, dum lado dum francês!?". Mas o cara num era francês. Era um brasileiro que trampava na Argélia e volta pro Brasa, por 10 dias, a cada 3 meses. Até me ofereceu um queijo do jantar que ele não queria...

O avião é moderno! Televisãozinha pra você escolher filmes, seriados, documentários, músicas. Assisti um pedaço de um Friends, um pedaço de Grease e o filme do Wolverine! E é grande o avião, hein! Cacete... turbulências de leve, nada muito intenso. Apanhei pra abrir a porta do banheiro mas deu tudo certo. Aqueles travesseirinhos de pescoço ajudam mesmo!

Cheguei em Paris pra conexão. Passei por um policial que perguntou pra onde eu iria, ao ver meu passaporte em branco. Falei que era pra Amsterdam e ele me liberou... Como descia e embarcava no mesmo terminal, não entendi se seria no mesmo portão ou não e saí seguindo as instruções de conexão. Andei, andei, andei até que descobri direitinho o meu vôo e fui em direção ao embarque. Uma fila grande, chegou a minha vez, entreguei meu passaporte e ganhei um carimbo! Eu acho que isso foi a imigração e o que ela carimbou era o que eu acho que é o visto. O que foi "decepcionante" porque eu esperava um mega interragotório e um carimbo gigantão, bonito, cheio de firula. Porra nenhuma...

No vôo para Amsterdam, um monte de japonêis, chinês, tudo com máscara da gripe suína. Sem maiores emoções, desci no aeroporto de Amsterdam. Ninguém me parou, nem me pediu nada, fui seguindo o barco. Ainda fui perguntar pra mocinha do balcão de informações, se era preciso passar pela imigração. Ela disse que não, então fui embora.

Aí a treta começou! Peguei minha mala e agora?!?! Perdidaço, escutando um monte de gente falar um pseudo alemão que você num entende porra nenhuma. Trens com nomes de estação tudo zoado e que nenhum bate com o que você tem de referência. E um monte de maquininhas pra você comprar seu ticket... fudeu! Fui perguntar pra uma tiazinha como eu fazia pra chegar na estação que queria e ela me disse "o próximo trem sai daqui 2 minutos." e falô! Tentei mexer na porra da maquininha mas nem sabia o que comprar, existem milhares de tipos de ticket. Voltei lá e ela me falou pra ir num guichê. Aí sim, uma senhora super simpática, me vendeu o ticket. Que eu nem precisava comprar... porque você num precisa mostrar pra ninguém, nem validar me lugar nenhum. Locura, né?!

Desci na estação de trem mas e agora para chegar no endereço da onde ficaria?! Num tinha muitas informações e fui perguntar para outra mocinha que falou pra mim que eu teria que pegar o "tram" 12. Achei que era trem normal e perguntei pra ela "E eu pego aqui dentro da estação?". "Não, lá fora, a esquerda!". Num entendi porra nenhuma... sai, com uma puta interrogação na cabeça, e perguntei pra uns seguranças que me mostraram o que era um tram (que é diferente de train) e lá fui eu, pra mocinha que vende tickets. Nesse meio de transporte a fiscalização é um pouco mais forte.

"Moça, eu preciso descer o mais próximo dessa estação... Você pode me dar um sinal, por favor, quando tiver chegando?". "Topo, topo! Por que não?!"... e anda... e anda... e anda. Até que a corna olha pra mim e fala "Puuuuta! Esqueci de você!" isso que eu tava na visão da lazarenta! "Você vai ter que descer e pegar outro tram, o de volta.". Desci, peguei o outro tram e expliquei pra nova moça e perguntei "Preciso pagar de novo?". "Você scanneou o ticket quando saiu do tram a primeira vez?". "Não, num me falaram nada...". "Então tem que pagar! Sempre que você entrar e for sair do tram e quiser usar o mesmo ticket, scanneia na entrada e na saída!". Fiquei procurando até agora, em todo tram 12 que vejo, a corna da lazarenta que me esqueceu mas até agora num achei! Mentira, lógico...

Dessa vez, não esqueceram de mim, e desci no lugar certo. Achei o apartamento onde ficaria e mandei uma mensagem pro Mick, rapaz do couch surfing que me responderia. Nisso, as minhas costas moendo com os 50 kilos de bagagem que trouxe na minha "mala". Tava foda. O Mick me indicou um restaurante e lá fui eu comer. Bem da hora o lugar e gostoso! Um lanche de ciabatta com carpaccio, rúcula, um molho doido, queijo e umas sementinhas que faz lembrar um amendoin. A garçonete não falava inglês então foi tudo no "acho que esse"... E bem gostoso mesmo o lance.

Fiquei o resto do dia rodando pelo bairro, o pouco que a mochila deixava, visitei uma igreja perto daqui do apartamento. Percebi que é um bairro bem árabe, islâmico, essas coisas. Um monte de "turco" pela rua, indiano, mulheres com roupas cobrindo o corpo todo e restaurante árabe por todos os lados. Parei numa praça onde tava rolando um joguinho de futebol entre molecada, tipo uma peladinha e, diga-se de passagem, com placas de patrocínio. Foda! Acabei a tarde numa lan house ouvindo balada indiana e sendo atendido por um indiano de télson que nem o do Piu.

Eis que deu o horário combinado, o Mick me ligou. E aí vem a primeira gafe do inglês. Falei com ele que estava perto da casa dele e ele perguntou se eu tava "close" (perto) da casa dele. Eu entendi o close como clothes e comecei a responder que tava com um jaqueta laranja! Óbvio que ele num entendeu nada e quando eu percebi a cagada, respondi de novo!

O cara é muito gente boa! Muito! Me deu uma cópia da chave do apartamento e me emprestou a bike dele (você vai entender no post do dia 23). Fui com ele no supermercado, umas marcas conhecidas, mas achei interessante tem um máquina lá que tudo quanto é coisa de bebida que é reciclável que você joga nela, ela gera créditos que você pode abater nas suas compras! Bem legal!

Compra feita, ele combinou com um amigo de fazer um jantar com comida típica holandesa, viemos para o apartamento, uma brejinha. Aí expliquei pra ele do "beber sem brindar", o bicho tá brindando em todos os lugares possíveis e imagináveis agora. Os amigos dele chegaram, muito legais os caras, tentei conversar o que deu com os caras, com um dele conversei bastante sobre futebol, mostrei a camiseta do Bugrão, e com o outro conversei um pouco do sistema econômico brasileiro! Uia! Eles entenderam tudo que eu falei? Provavelmente não! Mas eu entendi. Disseram que meu sotaque é diferente... acho que foi o jeito que encontraram de dizer, educamante, "Teu inglês tá foda, meirmão!".

De janta, um purezaço com muita verdura que eu num lembro o nome, bacon, um creme com um tempero que parece fondor e um salsichão! Da hora, viu! Da hora memo! Eles disseram que batata é o forte aqui. De sobremesa um creme meio creme, meio chocolate que vende pronto. E ficamos conversando, tentando, várias horas sobre várias coisas. Fui ajudar a lavar a louça e eles lavam de um jeito bem estranho aqui! Manja aqueles negocinhos que você põe na pia pra não deixar a água descer? Põe isso na pia, deixa encher de água, joga um detergente na água e deixa as coisas ali de molho. Aí pega uma escova, passa no prato, talher, copo, sei lá, e enxagua nessa mesma água e enxuga! Estranho, né?! Um dos amigos, o Rick, me explicou que eles tem esse hábito pois antigamente água era muito raro e caro por aqui. E encontraram esse jeito de conseguir viver com o que tinham. Mas que a namorada dele, do SURINAME (!!! SURINAME, bicho) acha estranho também. Acha sujo, na verdade... Mas se é assim que os caras lavam, que assim seja.

Hora de dormir, peguei o colchão, coloquei na sala e dormi... Pior que o Mick veio me falar boa noite e tchau, sempre ouvi que europeu é frio e tal. Ele esboçou um abraço, achei meio estranho e manja quando você fica naquele vai num vai? Aí ele me deu um abraço de verdade e eu fiquei puta sem graça por ter agido daquele jeito. Enfim... ah, o cara não é viado e não quer me comer! hahahaha