De "é que nem ir a Roma e não ver o Papa!"? Pois é! Não aconteceu comigo. Capotei ontem e acordei com o objetivo de ir ao Vaticano. Ao chegar no metrô: muvuca! Mas muvuca mesmo! Tipo lotação plena, tive que desligar a escada rolante porque não tava tendo vazão! Óbvio que um italiano falou pra mim "Ma que! Ma aperta esta porra!".
Chegando no Vaticano, mais muvuca ainda! Uma movimentação, acesso restrito à Basílica de São Pedro. Fui perguntar e era aquilo que disse ontem mesmo: o Papa ia lá falar. Do tempo de eu chegar, até começar o show, eram uns 15 minutos. Resolvi esperar.
E lá veio ele, com o Papa Móvel! O loco é que parece show do Seu Sílvio. Vem caravana de tudo quanto é lado com bandeira e tudo mais. A medida que anunciavam algo relacionado a caravana, era uma festa só! Gritaria, bandeiras balançando ao ar. Bem maluco mesmo! E quando o Papa começou a falar, eu só tirei umas fotos e corri pro Museu do Vaticano na esperança de não ter muita gente.
O que valeu a pena, mesmo, do Museu do Vaticano foi: o museu egípcio e a Capela Sistina. Se bem que o museu como um todo é bem loco! Bem loco mesmo! Não me lembro de ver um pedaço, seja de parede, de teto, em branco. Cara, é pintura pra tudo quanto é lado, detalhes pra tudo quanto é lado. É muito loco isso! Arte sacra, é claro...
No museu egípcio, múmias, milhares de objetos da época dos faraós. Eu curto absurdo isso então, pra mim, foi um prato cheio! Aí você anda, anda, anda, passa pelos cômodos do Rafael (que são bem da hora também) e chega na Capela Sistina. Hermanoteu, véi! HERMANOTEU, VÉI! O negócio é MUITO animal! MUITO! No sério. As pinturas do teto e do altar, do Michelangelo, são fora do normal. E se voce pensar como o cara fez pra pintar um TETO, um TETO BICHO, com tamanha perfeição, é de deixar mais boquiaberto ainda. Muito animal! Mas do tipo muito animal mesmo!
Quando acabei o Museu do Vaticano, a Basílica de São Pedro já estava aberta então fui pra lá. A igreja é muito grande, toda trabalhada. É poderosa, manja? Você olha e fala "Caaaraaaaalho!". Mas como não tenho muito apego à Igreja Católica, não me comoveu nem nada. Inúmeras referências à São Pedro, tem o túmulo do cara lá, assim como o túmulo de vários papas e teve um lugar que eu não sei dizer se era boneco ou se era um papa morto mesmo que estava exposto lá.
Pra aproveitar o dia e conhecer ainda mais Roma, resolvi voltar a pé do Vaticano até o Hostel. Passei por cima do Tevere, com sua água verde, e me perdi em um monte de ruazinhas de Roma. Tudo isso graças ao meu faro de perdigueiro que puxei da minha mãe! Mas isso é muito gostoso! Aliás isso aconteceu até agora como um todo, não só aqui. Você desobre vielinhas, ruazinhas mó típicas e vai vivendo um pouco mais da cidade.
Cheguei ao meu destino, a Praça Navona, onde tem a embaixada do Brasa. Aliás, diga-se de passagem com uma bandeira de pôr respeito em qualquer um. E lá, bem em frente à embaixada, um quarteto tocando várias músicas. Era um sax, uma sanfona, um violão e um contra-baixo. Animal! E começaram a tocar músicas brasileira: Garota de Ipanema, Aquarela do Brasil e "Choooooorando seu foi, quem um dia só me fez chorar...". Da onde tiraram isso, não sei... mas que foi animal ver os caras tocando as outras duas músicas, isso foi!
Roda, roda e roda, tá na hora de voltar pro Hostel. No quarto, chegou um casal de argentinos. Boa gente os dois. Conversamos um pouco e tal. E chegou, também, o casal americano com o cara que canta country. Eu caí na besteira de perguntar como foi o dia deles e o cara começou a "cantar" e eu só sorria, fingindo que tava entendendo alguma coisa! Sotaque do piru...
Umas brejinhas pra relaxar e resolvi apertar o foda-se e aproveitar Roma. Roma é caro! Bem caro! A cidade mais cara que passei até agora. Mas, se tô na Itália, vou comer como um Italiano e dane-se! Alguém paga...
Procurei na internet e encontrei um restaurante aqui perto com boas referências em dois sites. Resolvi arriscar. Cheguei, toquei a campainha mas tava lotado. Não sei se era isso mesmo ou se a tiazinha não gostou de eu estar de havaianas. Sem ter referências, parei um tio que tava entrando no carro e pedi uma dica pra ele. Ele me disse de uma rua, muito perto aqui do Hostel, e lá fui eu me arriscar.
Passei no primeiro restaurante e não me chamou muito atenção. Como o tio disse que tinha outro, fui andando mais e até vi o outro. Mas tava vazio... eis que de repente, ouço, do outro lado da rua, uma tarantela e uma sanfoninha tocando música. O lugar, um butequinho. Gamei! Cheguei lá, um monte de gente falando em italiano, o que me fez crer que não era point de turista. Perfeito!
Quem veio me atender foi um garçom comportado. Mas tinha um outro, italiano típico: baixinho e com cara de mal encarado. Mas um figuraça! Zoou todo mundo que passava o tempo inteiro, falava que falava inglês e começava a soltar umas frases do tipo "The book is on the table!", falava japonês e tudo mais. Mas, comer que nem italiano é azedo.
O esquema aqui funciona assim, acompanha comigo: primeiro tem a entrada. Pedi uma mista que veio: presunto parma, parmesão de verdade, mussarela de búfala, abobrinha, champignon e pão italiano! Daqueles de verdade que é cascudo de machucar a boca, por fora, e macio por dentro.
Aí tem o primeiro prato, que é uma massa. Pedi um spaghetti alho e óleo com peperoni. Imaginei que o peperoni era uns pedaços de peperoni pra dar um gosto. Eram duas pimentinhas, pequeninhas. O macarrão: perfeito! Eles servem bem "al dente", e tava perfeito no sal, no azeite, no alho, na pimenta (picantezinho) e na coisa verde pra dar gosto, que eu acho que era salsicha. Resolvi picotar a pimeta. Vééééééio! Pra que fiz isso. Eu transpirava na sombrancelha, no bigode, na testa! Mas tava MUITO bom!
Depois, vem o segundo prato, que é uma carne. Pedi, de gula porque só o macarrão já tinha dado conta mas vamos comer que nem os caras, um escalope de porco e de vaca ao funghi. Estava FAN-TÁS-TI-CO! Perfeito! Veio mais pão pra dar aquela "chuchada" no molho funghi. Teoricamente, depois viria o terceiro prato, que é uma salada, e a sobremesa. Mas eu num dei conta e desisti.
Roma é animal! É histórica e caótica! Conversando com um povo que já veio outras vezes aqui, disseram que está cada vez mais caótico e cheio de africanos, indianos. Mas é animal demais aqui. E posso afirmar, com toda certeza absoluta, que fechei com chave de ouro. Se ficou cara a janta de hoje? Dane-se. Alguém paga! Se bem que isso não tem preço...
PS: Fia, se eu pudesse, hoje era dia de fazer que nem o Veríssimo, de pegar a nota fiscal e mandar pra você no Brasil! Mas num tinha nota fiscal no lugar... :)
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